Ainda que me tivessem dito que eu poderia melhorar a minha visão ela só começou a melhorar quando decidi que queria mudar. Melhorar a visão pode ser considerado simples, mas por vezes não é tão fácil.

Primeiro temos que nos responsabilizar. Se eu sou míope é porque eu criei a minha miopia e se a criei eu posso mudá-la, certo? Esse é o primeiro passo e é um dos mais difíceis. É fácil dizer que é genético, que esforçámos a vista e agora temos miopia, que é da idade… Mas tudo isso não passa de justificações. Se a idade causa problemas de visão, porque é que só algumas pessoas  mais velhas têm problemas de visão?

Depois de nos responsabilizarmos temos que pedir ajuda. Porquê? Porque se a nossa forma de pensar nos levou a ter miopia de certeza que a mesma forma de pensar não nos trará a clareza. Depois de pedirmos ajuda, basta seguir sugestões.

Como mencionei no artigo anterior foi-me sugerida a leitura do livro “Melhore a sua Visão”. Apesar de ser um programa excelente, o facto de eu não ter seguido as sugestões fez com que o sucesso que atingi fosse limitado e de uma certa forma não muito real, pois houve automanipulação e sabotei o sucesso fazendo as coisas à minha maneira.

Mas, como estamos cá para aprender fui identificando que eu própria estava a boicotar-me.

Em julho de 2016 fiz o programa “O Manual de Gestão de Stress” de António Fernandes e posso dizer-vos que a minha visão melhorou significativamente. Por que é que não ficou completamente clara? Porque mesmo assim ainda continuei a querer fazer as coisas à minha maneira.

Entretanto tomei consciência que uma das características de pessoas afetadas pela miopia é o facto de acharem que elas é que sabem.

Vou exemplificar, citando uma das situações que aconteceram ao longo da minha vida.

Existe uma tarefa para ser feita que me foi delegada. Eu penso na melhor forma de a fazer e ponho as mãos à obra. Outra pessoa da equipa dirige-se a mim e sugere outra forma de fazer as coisas. Está no seu direito certo? E o que é que a Ângela faz? Ouve a sugestão e analisa de facto uma outra abordagem? Não… Nega logo a sugestão da pessoa sem se quer ponderar. Aliás, na maior parte das vezes nem sequer ouve o que a pessoa diz.

E isto causa-me um desconforto enorme. O que a outra pessoa sugere pode ou não funcionar e eu posso ou não escolher a outra forma de fazer as coisas. O problema é a minha negação a ideias que venham fora de mim e a minha recusa em admitir que nem sempre faço as coisas da forma mais fácil ou mesmo da melhor forma.

Mas identificar que ver as coisas de uma outra forma é bom para mim foi algo tão difícil… Aliás ainda continua a ser um desafio abrir-me a outra forma de ver e fazer as coisas. Mas posso dizer-vos que à medida que vou treinando e melhorando esse aspeto em mim me sinto cada vez melhor e a minha visão está cada vez mais clara.

A questão é até que ponto ter razão é mais importante do que ser feliz e estar bem. Será que a prioridade é sentir-me bem comigo e com os outros ou tentar convencer os outros a pensarem como eu?

Com uma grande vontade de ser cada vez melhor a cada dia que passa,

Ângela Barnabé

Lê o 1º artigo da série: “As Aventuras de uma Míope” aqui!

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