Artigo 4 da série: ” As Aventuras de uma Míope“.

Um dos meus grandes “talentos” é a resistência.

Eu resisto a tudo, tudo mesmo. Foi um comportamento que fui desenvolvendo ao longo dos anos e não é algo selectivo. Tudo o que seja diferente do que eu estou habituada é motivo para eu entrar em negação. E quanto mais estou em negação, mais acontecimentos semelhantes acontecem. E mais eu entro em negação. E assim por diante…

Não é preciso ser especialista para ver que toda essa resistência me causa um sofrimento profundo.

Porquê?

Não permito que as coisas fluam, não dou espaço a novas oportunidades e se elas aparecem arranjo logo forma de as anular.

Desde que comecei o processo de melhoria de visão as coisas têm ocorrido de uma forma diferente. Dou por mim muitas vezes surpresa pelo facto de não resistir tanto às coisas.

Esta última semana tem sido muito agitada e não imaginam as vezes em que me tive que impedir de resistir e a quantidade de vezes que acabei mesmo por entrar em resistência.

Mas sabem que mais? Existe sempre uma oportunidade de melhoria e podemos sempre tentar outra vez.

Dei por mim a fazer coisas que nunca imaginei fazer, a resolver situações que antes me fariam entrar em ansiedade. A minha visão esteve um pouco turva ao longo destes dias mas o processo de melhoria continuou a ocorrer. As pessoas que me rodeiam começaram a agir de forma diferente.

No fundo este meu “talento” de tanto resistir é uma bênção.

Primeiro porque tenho que estar sempre atenta, porque ao mínimo descuido lá estou eu a resistir. E se estou atenta, estou a viver o presente e a minha visão e toda a minha vida melhora.

Depois, se eu tenho tendência para resistir, cada vez que aparece uma nova situação é uma oportunidade para eu melhorar. A todos os momentos tenho situações que me permitem o meu crescimento.

Rirmo-nos das nossas limitações é uma forma de nos libertarmos delas. Assim, aqui estou eu pronta para me rir de todos os meus momentos de resistência e para me amar e aceitar naqueles momentos em que só me apeteceria zangar-me comigo.

Ângela Barnabé

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