Artigo 9 da série “As Aventuras de uma Míope”

Ontem à tarde decidi fazer um bolo. Cozinhar, ou neste caso, fazer bolos é uma atividade que me dá bastante satisfação, seja enquanto os faço ou seja enquanto os como.

Mas ontem, enquanto preparava o bolo de chocolate apercebi-me de uma coisa. Existe um passo comum a quase todas as receitas de bolos que eu não gosto nada de fazer: untar a forma. Tento sempre adiar ou arranjar uma forma diferente de fazê-lo.

Normalmente o resultado não é muito bom. Apesar de o sabor do bolo ser, na maior parte das vezes, muito bom, o facto de não untar a forma faz com que a apresentação do bolo não seja a melhor.

O passo que é um dos mais importantes, podendo ser mesmo considerado uma das bases da receita, é o que eu mais descuido.

Transportei então essa reflexão para a forma como lido com a vida. Nas primeiras vezes em que tentei fazer o programa de melhoria de visão, a parte mais importante que é a mudança interior foi a que eu pus de parte.

E ainda que eu entrasse no terreno da mudança de consciência, havia sempre um ou dois assuntos que eu não queria mudar.

Queria sentir-me bem comigo mesma, ser feliz e sentir-me realizada, mas estava à espera da aprovação e do amor dos outros.

Queria sentir-me segura e autoconfiante e deixar-me fluir com a vida, mas fazia as coisas à minha maneira.

Queria ter uma visão clara, mas deixava que conceitos obsoletos toldassem o meu olhar.

Todos os projectos precisam de uma base onde assentar. Seja um bolo, uma casa ou um processo de recuperação; não se pode dar o segundo passo sem dar o primeiro.

Temos que untar as formas, misturar os ingredientes na proporção certa e esperar que o bolo coza.

Temos que nos responsabilizar, mudar o que podemos, aceitar o que não podemos e ser sábios para distinguir o que temos que mudar e o que temos que aceitar.

Ângela Barnabé

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