As Aventuras de uma Míope #11 – Problema ou bênção?

Artigo 11 da série “As Aventuras de uma Míope”

Sempre pensei que um dos objectivos para a vida de qualquer um seria evitar problemas. Quando escrevo isto não me refiro a não entrar em confusões (claro que isto seria de evitar), mas sim à necessidade de me afastar das coisas que me levariam a trabalhar aspectos em mim, à necessidade de ficar na minha zona de conforto.

Por exemplo, queria apenas o dinheiro suficiente para viver, pois sabia que se ganhasse mais dinheiro do que necessitava, tinha que ser responsável e colocar esse dinheiro em movimento, realizando todos os meus sonhos e contribuindo para um mundo melhor.

Quando me apercebi do meu problema de visão, vi-o como um problema, e principalmente como um problema que eu não podia resolver, algo que tinha tido caído do céu e que eu tinha tido o azar de “apanhar”.

Com o passar do tempo fui reforçando a ideia de problema, que por sua vez me fazia sentir culpada por não me permitir ver bem e também não me dava uma solução, pois encontrava-me fechada naquele paradigma.

Comecei a escrever “As Aventuras de uma Míope” e reflecti sobre tudo o que a miopia tinha trazido para a minha vida. Será que a miopia é realmente um problema ou uma bênção?

Quantas coisas aprendi devido à miopia? Quantas mudanças foi possível realizar devido à minha falta de clareza? Quão bonito é um processo de recuperação? Quão fantástica é a metamorfose de uma pessoa fechada, rígida e resistente, para uma pessoa que flui, amorosa e acima de tudo que se ama?

O processo de melhoria ainda não acabou e já “vejo” todas estas bênçãos.

No fundo, as coisas são o que nós “vemos”. A nossa postura altera tudo.

Obrigado miopia pela bênção que és na minha vida!

Ângela Barnabé

As Aventuras de uma Míope #10 – Falar dos meus medos?

Artigo 10 da série “As Aventuras de uma Míope”

Desde que comecei a escrever esta série de artigos, tenho tentado falar mais abertamente dos meus medos. Por vezes só me permito falar deles depois de os ter “ultrapassado”, ou seja, quando penso que eles já não me incomodam.

Mas, outras vezes permito-me ser honesta e partilho com os que me rodeiam quais os meus medos. São medos um pouco ridículos, mas são eles que contribuem em grande parte para a minha falta de visão.

Tenho medo de não ser aceite, de falhar, de ser julgada e de não ser amada. Tenho medo que as coisas fujam do meu controlo e que me depare sozinha, perante o resto do mundo.

Não interessa querer falar (ou neste caso escrever) bonito, dizendo-vos aquilo que eu sei, em vez de aquilo que eu sinto.

O mundo não é um lugar perigoso, eu sei, mas o facto de saber isto não me impede de tomar uma atitude defensiva.

Tudo são experiências, eu sei, mas saber isso não me impede de tentar ser perfeita e de querer que as coisas sejam à minha maneira.

A vida é fluxo, eu sei, mas esse conhecimento não me impede de resistir à mínima alteração de planos que possa ocorrer.

Cada dia tento ser um pouco melhor. Tento permitir que a vida flua e que os medos não sejam obstáculos aos meus sonhos. E quando não consigo tento outra vez. E outra vez. E outra vez.

Tinha medo de falar dos meus medos. Mas aqui estou eu a falar deles, não é?

Ângela Barnabé

As Aventuras de uma Míope #9 – A receita para uma visão clara

Artigo 9 da série “As Aventuras de uma Míope”

Ontem à tarde decidi fazer um bolo. Cozinhar, ou neste caso, fazer bolos é uma atividade que me dá bastante satisfação, seja enquanto os faço ou seja enquanto os como.

Mas ontem, enquanto preparava o bolo de chocolate apercebi-me de uma coisa. Existe um passo comum a quase todas as receitas de bolos que eu não gosto nada de fazer: untar a forma. Tento sempre adiar ou arranjar uma forma diferente de fazê-lo.

Normalmente o resultado não é muito bom. Apesar de o sabor do bolo ser, na maior parte das vezes, muito bom, o facto de não untar a forma faz com que a apresentação do bolo não seja a melhor.

O passo que é um dos mais importantes, podendo ser mesmo considerado uma das bases da receita, é o que eu mais descuido.

Transportei então essa reflexão para a forma como lido com a vida. Nas primeiras vezes em que tentei fazer o programa de melhoria de visão, a parte mais importante que é a mudança interior foi a que eu pus de parte.

E ainda que eu entrasse no terreno da mudança de consciência, havia sempre um ou dois assuntos que eu não queria mudar.

Queria sentir-me bem comigo mesma, ser feliz e sentir-me realizada, mas estava à espera da aprovação e do amor dos outros.

Queria sentir-me segura e autoconfiante e deixar-me fluir com a vida, mas fazia as coisas à minha maneira.

Queria ter uma visão clara, mas deixava que conceitos obsoletos toldassem o meu olhar.

Todos os projectos precisam de uma base onde assentar. Seja um bolo, uma casa ou um processo de recuperação; não se pode dar o segundo passo sem dar o primeiro.

Temos que untar as formas, misturar os ingredientes na proporção certa e esperar que o bolo coza.

Temos que nos responsabilizar, mudar o que podemos, aceitar o que não podemos e ser sábios para distinguir o que temos que mudar e o que temos que aceitar.

Ângela Barnabé

As Aventuras de uma Míope #8 – Porque é que as coisas não resultam?

Artigo 8 da série “As Aventuras de uma Míope”

Já mencionei em artigos anteriores dois livros que me ajudaram a melhorar a minha visão: Melhore a sua Visão de Sir Martin Broffman e O Manual de Gestão de Stress de António T. Fernandes. Os dois livros têm sucesso garantido e ambos os autores afirmam que se fizermos o programa iremos ver claramente e mudar a nossa vida, respectivamente.

Então, porque é que eu ainda não vejo claramente e a minha vida não deu uma volta de 180°?

Com esta pergunta não pretendo de forma alguma banalizar todo o trabalho feito por mim, nem mesmo colocar-me no papel de vítima e achar que as coisas deviam ter acontecido de uma forma diferente. O meu objetivo é partilhar a experiência que adquiri com estes dois programas.

E para responder à questão, ao analisar o meu percurso nos últimos três anos cheguei à conclusão que:

O conhecimento só atrapalha: já mencionei isto em artigos anteriores, mas é necessário reafirmar que quanto mais ferramentas temos, menos as aplicamos. A procura constante de novas técnicas para isto e para aquilo não passa de uma fuga. A melhoria constante é importante? Claro que sim. Mas se eu tenho um conjunto de técnicas que me ajudam e funcionam, porque é que hei-de procurar mais?

Seguir sugestões é importante: eu sou uma pessoa muito resistente e se eu ponho na cabeça que uma coisa é assim, ela tem que ser assim, mesmo que o “assado” seja melhor. Mas vê-se bem ao que isso me levou. Antes de ter começado o meu processo de mudança, eu não tinha qualquer perspectiva de futuro (e tinha apenas 16 anos). Portanto se a minha forma de pensar me levou onde eu não queria estar, tenho que mudar a forma de pensar para mudar o sítio onde vou parar, certo? E consigo isso seguindo sugestões. Os livros que mencionei acima estão repletos de sugestões preciosas à mudança. E adivinhem o que eu fiz? Fiz as coisas à minha maneira!

As coisas não acontecem como esperamos, nem quando esperamos: o processo de mudança é diferente de pessoa para pessoa. Devemos libertarmo-nos de qualquer expectativa e se por algum motivo boicotarmos o processo não nos podemos culpar. Aceitamos, rimo-nos da situação e aprendemos algo.

Não é fácil admitir que se alguma coisa não flui na nossa vida, nós somos os responsáveis. Mas, posso garantir-vos que quando o fizerem as coisas vão começar a mudar e irão começar a ver as coisas de uma forma diferente.

Ângela Barnabé

As Aventuras de uma Míope #7 – Estar bem é um treino

Estar bem

Artigo 7 da série “As Aventuras de uma Míope”

Encontro-me neste momento a fazer novamente o Manual de Gestão de Stress. Ontem enquanto estava a ler a ação do dia, “tomei consciência” que estar bem é um treino.

Durante todos estes anos treinei-me para me sentir mal comigo mesma; para criticar e julgar os outros; para resistir às coisas que me rodeiam; para querer as coisas à minha maneira.

Este treino foi coroado com o diagnóstico da miopia e mostro-me o resultado da minha postura relativamente à vida.

Mas demorei algum tempo a alcançar esse estado. E agora? Será que não me posso treinar para ser aquilo que quero que o mundo seja?

Posso escolher a cada momento presente treinar a minha aceitação e gratidão perante a vida. Posso, perante qualquer acontecimento, escolher agir em vez de reagir; estar em amor em vez de estar em ansiedade; estar no fluxo ou resistir a ele.

Estar bem é um treino. Se a minha condição de míope mostra a minha tendência para ter medo do mundo, eu tenho que treinar a minha segurança. Se tenho pensamentos de crítica e de julgamento tenho que treinar o amor em relação a mim mesma e aos outros.

Nunca achei que fosse fácil melhorar a minha visão.  Mas também sempre me disseram que aquilo que realmente queremos é aquilo que acabamos por conseguir.

No fundo, o resultado que temos é aquilo em que nos focamos e aquilo que realmente queremos. E se que quero melhorar a minha visão posso começar já a treinar.

Ângela Barnabé

As Aventuras de uma Míope #6 – Como saber que estou a fazer bem?

Artigo 6 da série “As Aventuras de uma Míope”

Uma das minhas características bem presentes é o perfeccionismo. E ao contrário do que eu pensava, o perfeccionismo não é algo de louvar, (já escrevi sobre o perfeccionismo neste texto). Quantos projectos já adiei por causa de querer ser perfeita? Quantas mudanças não comecei porque queria fazer tudo bem?

Quando comecei o processo de melhoria de visão, tive que fazer um acordo comigo mesma e decidir abandonar a tendência de querer ser perfeita. Porquê?

1º – Ninguém é dono da verdade e por isso não há um método infalível para nada. O que funciona num caso pode não funcionar noutro. Esqueçam lá os planos e o querer ter as coisas sobre controlo, porque tudo muda a cada momento e à medida que estou a melhorar a minha visão, começo não só a ver o mundo que me rodeia de uma forma mais clara, como mudo muitas verdades e ideias pré-concebidas. Para além disso, coisas que resultavam muito bem comigo no início do processo de melhoria de visão, hoje já são obsoletas.

2º –A aprendizagem vem da experiência e não do conhecimento. Aquela tendência que eu tinha para saber muita informação sobre um determinado assunto antes de começar a fazer as coisas, só fez com que eu criasse conceitos errados e desistisse das coisas antes de começar. A beleza das coisas está em cair e levantar e em tirar conclusões sobre as experiências que nós próprios passamos. Ler uma explicação sobre como andar de bicicleta não me vai fazer saber andar de bicicleta, pois não?

3º – O querer planear e ter as coisas à minha maneira é uma das características dos míopes. E o que é que eu tenho de fazer para passar a ver com clareza? Deixar de me comportar como uma míope. Por muito que me doa resistir às tendências manipuladoras e controladoras, doí ainda mais não ver com clareza e boicotar o meu próprio crescimento.

Deixar levar-me pela vida e confiar no universo tem sido um grande desafio. Existem momentos em que faço as coisas à minha maneira e volto a ver novamente tudo turvo. Mas os momentos em que confio na vida e que vejo com clareza são cada vez mais abundantes…

Então como saber que estou a fazer bem? Sempre que me deixar levar por conceitos do passado e fizer as coisas como antes, estou a continuar a ser a Ângela Míope, que quer continuar a ser míope.

Quando baixo os braços, sigo sugestões e me abro a uma nova realidade, estou a caminhar e direção à clareza de visão.

Ângela Barnabé

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