A ditadura da beleza – 108 de 365

ditadura da beleza

Hoje na visita que fiz ao Bacalhôa Buddha Eden, vi uma escultura que me despertou uma reflexão. Não sei se aquilo em que eu refleti está relacionado com o tema da escultura, mas a verdade é que “mexeu comigo”.

Desde sempre o conceito da beleza foi algo que me incomodou. Por achar que não pertencia ao grupo das consideradas “bonitas”, sentia-me inferior. A forma como me via a mim mesma refletia esse sentimento e por muito que eu tentasse modificar a minha aparência havia sempre alguém mais bonito que eu.

Tentava pertencer a um padrão e pensava que quando tivesse determinadas roupas, determinado corpo, determinada postura, aí me ia sentir bela. Mas isso nunca aconteceu.

Começo agora a vislumbrar a verdadeira beleza. Aquela beleza que vem do interior. Que nada tem a ver com aparência, mas que no fundo interfere com ela.

Se eu me sinto bem comigo mesma, com o mundo e se o meu foco principal é estar bem, como é que eu poderei não irradiar um brilho, uma beleza?

Quando me sinto bem e me olho ao espelho, vejo alguém que se sente bem. Mas quando não me sinto bem comigo, vejo tudo aquilo que está fora do padrão e que devia ser diferente.

É impressionante o quanto eu me “mutilei” para pertencer a um grupo e no final apenas sobrou um pedaço igual à maioria. Tudo o que era “eu” desapareceu.

Está na altura de me libertar da ditadura da beleza.

Obrigado!

Ângela Barnabé

Foto original por Mack Fox (MusicFox) on Unsplash

A maldição da comparação – 96 de 365

comparação

Hoje estava a observar as flores no jardim da Casa Escola António Shiva e relembrei-me de um excerto de uma palestra de Osho que diz:

“As rosas florescem tão maravilhosamente porque não estão tentando converter-se em lótus. E os lótus florescem tão maravilhosamente porque não ouviram histórias de outras flores. Tudo na natureza anda tão maravilhosamente em harmonia, porque ninguém está tentando competir com alguém mais, ninguém está tentando converter-se em outro. Tudo é como deve ser.”

 Osho*

Observei diferentes tipos de plantas, algumas com flores e outras com maravilhosas folhas. Cada uma com a sua essência, com o seu crescimento.

Assim somos todos nós.

Durante muito tempo vivi na perseguição de uma imagem de mim mesma, criada com base na comparação com os outros. Buscava essa mesma imagem porque achava que ao alcançá-la me iria sentir bem comigo mesma. Seria como os outros e seria feliz.

Mas as coisas não são bem assim.

O bem-estar está em sentir-me bem comigo mesma, da forma como sou, com as características que tenho.

Apenas a aceitação daquilo que sou e das minhas limitações me permite ser uma pessoa melhor.

Enquanto quiser ser como os outros, enquanto comparar o meu crescimento com os outros, serei uma semente “confusa”, à espera de desabrochar, mas sem conseguir fazê-lo porque estou a ir contra a minha essência.

Por todo o lado ouvimos que temos ser quem nós somos e acho que aos poucos começo a ver que aquilo que percebi disso não é bem aquilo que eu estava à espera.

Ser quem sou não é criar uma imagem de mim mesma e persegui-la. É aceitar aquilo que sou e permitir que as minhas limitações se transformem em bênçãos e ao aceitar-me sentir-me cada vez melhor comigo mesma.

Obrigado!

Ângela Barnabé

 

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Queria que gostassem de mim… – 38 de 365

queria que gostassem de mim

A minha autoestima foi algo que desde há algum tempo é um “problema”. Lembro-me de ser uma criança confiante e segura, mas em algum momento isso transformou-se no contrário.

É claro que o período da minha vida em que me sentia mal comigo mesma foi um período de grande aprendizagem e de evolução. Mas, não é normal não gostar de mim.

Queria receber o amor dos outros, queria que gostassem de mim…

Perseguia uma ideia de que tinha que agradar ao máximo de pessoas possível, pois isso seria um grande contribuidor para o meu bem-estar.

Esqueci-me que a única pessoa que eu devia querer agradar era a mim mesma.

 Qualquer ação que tenha como base a procura de aprovação e de valorização apenas vai criar mais do mesmo.

É estúpido ir buscar o meu bem-estar àquilo que os outros pensam ou querem de mim e é completamente destrutivo querer corresponder à imagem que os outros sonham de mim.

Aliás, tentar impingir uma imagem noutra pessoa também é completamente surreal.

A vida é uma mentira se eu não for aquilo que eu realmente sou. Todos os traços, todas as características que fazem parte de mim merecem ser reconhecidas e muitas delas, com o passar do tempo precisam de ser recicladas.

Qualquer mudança que faça deve ter como base o meu bem-estar e deve partir de mim, numa postura de aceitação e de gratidão daquilo que sou neste momento e daquilo que vivi até hoje.

Eu queria que gostassem de mim… Mas o importante é que eu goste de mim, pois só assim saberei que estou a agir com base no amor e com o real intuito de ser uma pessoa melhor.

Ângela Barnabé 

Foto original por sergee bee on Unsplash

Receber amor – 15 de 365

O conceito de amor que eu tenho ainda é muito limitante. Por todo o lado fui (e sou) bombardeada com um conceito de amor condicional, que em vez de trazer todo aquele calor que esperava, apenas trouxe mais vazio.

Tenho reparado na forma como a minha vida se desenrola e quão abençoada eu sou por tudo o que vai acontecendo. Pensei, hoje, que a vida me tem dado tanto amor, mas a verdade é que esse amor sempre esteve aí para mim.

Aquilo que eu estou a sentir hoje, podia tê-lo sentido noutras alturas da minha vida, porque desde sempre pude viver a vida de uma forma satisfatória. É claro que tudo faz parte de um processo, mas não é só hoje que estou a ser abençoada.

Até que ponto eu me abro para receber amor? Ou para receber qualquer coisa que eu desejasse num dado momento?

Uma das primeiras coisas que eu “aprendi” quando comecei a ver a vida de uma outra maneira é que tinha que me sentir merecedora daquilo que queria receber. Para isso tenho que me sentir bem com a pessoa que sou, pois só assim me considerarei com valor suficiente para receber aquilo que quero.

O verdadeiro amor, o amor incondicional, jorra por todo o lado, mas tem que começar por mim. Tenho que me encher de amor de forma a que ele transborde e para que o meu mundo fique coberto.

Se não conseguir conceber algo, também não o vou conseguir realizar. Assim é com o amor e com tudo o resto; se eu não achar possível que o amor exista na minha vida, também com certeza nunca vou poder recebê-lo, pois nunca vou estar aberta a ele.

E não é o amor romântico, mas sim o amor genuíno, que parte de uma postura de aceitação, gratidão e de bem-estar comigo própria.

O amor incondicional é como uma semente; quanto mais se dá, mais se tem.

Obrigado por este dia cheio de amor.

Até amanhã!

Ângela Barnabé 

Foto original por Evan Kirby on Unsplash

Sinto-me realizada? – 9 de 365

Passei grande parte da minha vida a pensar que a realização vinha da concretização de objetivos. Tinha um  objetivo, conseguia concretizá-lo e aí poderia receber a tua esperada realização.

Mas, como sentia um grande vazio interior, essa busca pela realização não tinha como intuito a melhoria da minha vida, usando o meu tempo de uma forma útil, mas sim de preencher uma grande lacuna.

Quanto mais fazia e mais buscava o que fazer, menos realizada me sentia. Aliás, na maior parte das vezes começava muito entusiasmada com algum projeto, mas cedo essa chama se apagava, pois nunca era algo genuíno. Era mais uma tentativa de sentir que estava a viver com algum propósito.

Mas como é que eu me poderia sentir realizada? Aquele sentimento de inutilidade funcionava como um buraco que fazia desaparecer tudo o que eu sentia quando alcançava algum objetivo.

Esse “buraco” não podia ser preenchido pelo exterior. Era algo que tinha que ser resolvido interiormente.

Buscava fazer as coisas porque queria realmente isso, ou porque era suposto? Queria mesmo ser a pessoa que ia atrás de uma determinada filosofia ou fazia as coisas para que gostassem de mim?

Toda a base do problema era aquilo que eu pensava de mim, a minha autoestima. Tinha que parar de me preocupar com aquilo que os outros pensavam e passar mais tempo a descobrir aquilo que estava em harmonia comigo.

E hoje? Sinto-me realizada?

Quando tomei consciência que a realização vem do percurso e não no chegar ao destino; quando vi que era eu que tinha que vibrar com aquilo que fazia e não com o que os outros sentiam relativamente a mim; aí pude começar a sentir-me a pessoa realizada que sempre quis ser.

Quanto mais realizada me sinto, mais realização trago para a minha vida. Só o facto de me sentir bem comigo mesma durante alguns momentos ao longo do dia já é motivo para me sentir mais que realizada.

E se semeio bem estar hoje o que é que irei colher amanhã?

Obrigado por este dia repleto de “realização”!

Até amanhã!

Ângela Barnabé 

Eu sou o que penso que sou – 8 de 365

A imagem que eu tenho de mim sempre foi algo com que eu tive dificuldade em lidar. Era mais fácil dizer que eram os outros os responsáveis por aquilo que me acontecia, mas com o passar dos tempo, as peças do puzzle começaram a encaixar.

Eu sentia-me mal comigo mesma e as pessoas ignoravam-me ou não me davam importância. Eu sentia-me bem comigo mesma e era respeitada e acarinhada. Durante algum tempo, achei que o que as pessoas faziam era a causa do meu estado, mas na verdade tudo isso era efeito.

Efeito do quê? Da imagem que eu tinha de mim mesma. Lembro-me de ser uma criança extrovertida, mas, depois de entrar na onda da comparação, aos poucos fui perdendo essa chama.

Quando me comecei a comparar com os outros, seja a nível físico, como a nível de “conquistas”, o foco passou a ser o ultrapassar aquilo que os outros tinham. Acontece que, ao contrário do que eu pensava, mesmo quando conseguia ser a melhor, o vazio interior não era preenchido, aliás ficava ainda maior.

Em vez de me focar naquilo que estava em harmonia comigo e com aquilo que eu era, tentava moldar-me de todas as maneiras possíveis, para que de uma forma ou de outra pudesse preencher aquele grande vazio que sentia dentro de mim.

Usava máscaras perante todos, vivendo alguns momentos de “felicidade”. Aquela suposta felicidade era na verdade euforia, que tão depressa ia como vinha. Era à noite, ou quando ficava realmente sozinha, que todo aquele mal-estar caía sobre mim e eu interrogava-me o que é que eu era realmente.

Ainda hoje, durante alguns momentos, me interrogo o que é que eu sou. Continuo a ir buscar aquilo que eu era, sem me aperceber que mudei e que acima de tudo posso ser aquilo que eu quiser.

Pode demorar algum tempo até que seja integralmente uma pessoa segura e confiante, mas a cada dia que passa, cada segundo de bem-estar é um passo em direção a um mundo melhor e uma certeza que neste preciso momento posso sentir-me bem com aquilo que sou.

Obrigado por este dia cheio de amor!

Até amanhã!

Ângela Barnabé

 

Foto original por Chloe Si on Unsplash

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