O medo de viver – 103 de 365

viverNão me lembro de ter tomado a decisão de deixar de viver e passar a sobreviver apenas, mas a verdade é que isso aconteceu.

Durante algum tempo convenci-me que aquilo que eu fazia por mim era suficiente, que aquele marasmo em que eu vivia era satisfatório.

Mas nunca foi. A vida é para ser vivida e quanto mais me fechava a ela, mais motivos me eram apresentados para que eu me abrisse.

A ansiedade e medo que eu sempre sentia eram grandes provas de que a minha postura não era a melhor.

Tinha medo de viver, de sentir, de lidar com situações, emoções e pessoas.

Nos últimos dias tenho estado atenta a essa minha tendência de fugir.

Desde que decidi mudar a minha postura em relação à vida que me surpreendo com os seus milagres e com o seu processo.

Não há que ter medo. Tenho apenas que confiar e na hora em que sentir vontade de recuar tenho que dar um passo em frente para as oportunidades que me esperam.

É uma questão de escolha, de decisão.

Posso escolher transportar o que sempre senti (medo, ansiedade, dúvida…)  para o momento presente e continuar a perpetuar o sofrimento que sentia.

Ou posso decidir neste momento, escolher de acordo com uma mente mais expandida e criar a realidade que realmente desejo.

Obrigado!

Ângela Barnabé

Foto original por Raquel Pedrotti on Unsplash

Como me sentir segura? – 25 de 365

Sempre quis fazer tudo bem feito à primeira. Queria desempenhar uma tarefa como se eu tivesse uma experiência de anos a fazê-la, sem nunca sequer ter abordado algo parecido.

Tinha medo de falhar, de dizer que não sabia e isso impedia-me de fazer coisas e de usufruir de todo o processo de aprendizagem que uma determinada tarefa me trazia.

Mas o que eu não percebia era que toda aquela segurança que eu buscava, aquele sentir que sabia o que estava a fazer vinha de todo um processo, que aos poucos me trazia experiência e me ajudava a ser mais segura.

Hoje consigo fazer coisas que nunca imaginei, porque expandi a minha consciência para isso e arrisquei. Muitas vezes com medo e insegura resolvi dar o primeiro passo e foi aí que a magia aconteceu.

Nem sempre os resultados foram aquilo que eu esperava e muitas vezes cheguei à conclusão que determinada forma de agir não coincidia com aquilo que eu pretendia alcançar.

Mas isso só me deu experiência e confiança para tomar novas decisões. Não foi tempo perdido, nem sequer posso considerar todo estes processos como erros. Isso seria desperdiçar todo aquele trajeto sem retirar tudo aquilo que tive a oportunidade de aprender.

Tenho-me focado em usufruir da experiência ao invés de me focar apenas no resultado. Isso liberta-me da prisão da expectativa e permite que, mesmo que não tenha alcançado aquilo que inicialmente planeei, possa desfrutar daquilo que a vida me tem para oferecer.

É um treino libertar-me do controlo e entregar-me ao fluxo e naqueles pequenos momentos em que o faço “percebo” o quão simples é viver e o quão belo é todo este processo de aprendizagem.

Tudo acontece por um motivo e se eu tiver a postura que o que acontece é o melhor facilmente caminho nesta viagem fantástica que é a vida!

Obrigado por este dia repleto de aprendizagens!

Até amanhã!

Ângela Barnabé 

Foto original por Jon Phillips on Unsplash

Qual é o meu foco – Reflexões Diárias

Já me apercebi bastantes vezes que quando me foco em algo e acredito verdadeiramente que isso vai acontecer, isso de facto acontece.

Lembro-me de uma vez, quando estava a arrumar e organizar o sótão, em que afirmei com toda a convicção que um aspirador ia cair em cima de mim e a verdade é que levei com um aspirador na cabeça.

Assim como este episódio tenho muitos outros e isso fez-me pensar no que eu realmente me foco.

O foco funciona como uma linha a seguir enquanto navego pelos acontecimentos do dia-a-dia e ajuda-me a não me perder quando tudo parece uma confusão. Devia ser usado para criar o que quero, e é isso que acontece. O problema é aquilo que eu quero.

Treinei a minha mente para pensar no pior que podia acontecer, ou seja, para me focar no pior e através disso criar o cenário que tinha visualizado na minha mente.

A energia do medo é algo bastante forte e quando eu me deixo levar por isso, consigo sentir de uma forma bastante real a situação que mais temo e é claro que isso se vai materializar.

A vida não quer o meu mal e por isso ajuda-me a sair desses momentos de medo, senão a minha vida ia ser um grande pesadelo.

Mas porque é que eu não vibro sempre de forma intensa com os meus sonhos e os meus verdadeiros objetivos?

Perguntei-me isto e cheguei à conclusão que não interessa encontrar a resposta.

Sei qual é o problema (falta de foco nos meus sonhos e objetivos); sei qual é a solução (ter sonhos e objetivos e focar-me neles) e tenho que pôr ação.

No início foi mais difícil porque me foquei na procura da resposta e não no por ação na solução, mas hoje sei que tudo é um treino e que é muito mais fácil para mim neste momento focar-me nos meus maiores sonhos.

Obrigado por este dia maravilhoso.

Até amanhã!

Ângela Barnabé 

Abrir mão do conhecido – Reflexões Diárias

Tenho tomado consciência do quão difícil para mim é abrir mão do conhecido. Tenho treinado largar essa minha tendência e isso fez-me refletir um pouco acerca do meu passado.

No passado, cheguei a um ponto na minha vida em que a base das minhas decisões era o medo. Nesse estado, tudo o que fosse fora do conhecido era posto de parte. E isso levo-me a um espaço em que tudo o que pudesse acontecer “fora do normal” era rotulado como mau.

Tudo aquilo que me poderia trazer crescimento, entusiasmo e apetite pela vida era aquilo que eu mais rejeitava.

Cada vez mais a minha vida estava estagnada e somado a isso estava um grande vazio interior que eu tentava preencher de várias maneiras, sempre sem nenhum sucesso.

Olhando para trás, vejo que aquilo que eu considerava vida, era uma grande ilusão. Ansiava novas oportunidades, mas forçava uma rotina. Queria conhecer pessoas novas, mas fechava-me na minha própria bolha.

Hoje ouvi que as grandes oportunidades estão fora da zona de conforto, mas penso que é mais do que isso.

A verdadeira vida só acontece no desconhecido, fora daquilo que considero confortável. Todo aquele tempo em que pensei que estava a viver, estava na verdade a enganar-me, pois eu sabia que tudo o que estava a fazer era fugir à vida.

Hoje, ainda tenho a tendência de me fechar nessa bolha. Mas olhando para aquilo que consegui com essa postura seria bastante estúpido fazer o mesmo esperando que magicamente as coisas mudassem.

Aos poucos vou aprendendo a abrir mão do conhecido, a largar todo aquele lixo que apenas me trouxe sofrimento, em vez de uma vida de satisfação e realização.

Fui eu quem transformou a minha vida num pesadelo. Mas é possível acordar e, em vez de um bonito sonho, criar uma realidade mais fantástica do que poderia imaginar.

Obrigado por este dia repleto de vida!

Até amanhã!

Ângela Barnabé 

As Aventuras de uma Míope #10 – Falar dos meus medos?

Artigo 10 da série “As Aventuras de uma Míope”

Desde que comecei a escrever esta série de artigos, tenho tentado falar mais abertamente dos meus medos. Por vezes só me permito falar deles depois de os ter “ultrapassado”, ou seja, quando penso que eles já não me incomodam.

Mas, outras vezes permito-me ser honesta e partilho com os que me rodeiam quais os meus medos. São medos um pouco ridículos, mas são eles que contribuem em grande parte para a minha falta de visão.

Tenho medo de não ser aceite, de falhar, de ser julgada e de não ser amada. Tenho medo que as coisas fujam do meu controlo e que me depare sozinha, perante o resto do mundo.

Não interessa querer falar (ou neste caso escrever) bonito, dizendo-vos aquilo que eu sei, em vez de aquilo que eu sinto.

O mundo não é um lugar perigoso, eu sei, mas o facto de saber isto não me impede de tomar uma atitude defensiva.

Tudo são experiências, eu sei, mas saber isso não me impede de tentar ser perfeita e de querer que as coisas sejam à minha maneira.

A vida é fluxo, eu sei, mas esse conhecimento não me impede de resistir à mínima alteração de planos que possa ocorrer.

Cada dia tento ser um pouco melhor. Tento permitir que a vida flua e que os medos não sejam obstáculos aos meus sonhos. E quando não consigo tento outra vez. E outra vez. E outra vez.

Tinha medo de falar dos meus medos. Mas aqui estou eu a falar deles, não é?

Ângela Barnabé

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