Como sou uma pessoa com muita tendência para raciocinar, gosto muito de rotular. Sejam as situações, as pessoas, eu mesma; todas estas coisas são excelentes para colocar os queridos rótulos.

Após a aplicação dos rótulos, coloco os itens em prateleiras e pronto e a situação fica arrumada. Cada vez que me deparo com algo semelhante, através dos rótulos já criados, é só agir como agi para a situação anterior e colocar tudo no sítio correspondente.

Pensava que fazer isto era uma boa forma de levar a vida, pois assim poderia facilmente resolver as situações, uma vez já tinha uma base para a tomada de decisões.

Mas ao longo destes dias tenho visto o quanto isto, em vez de tornar a minha vida mais fácil, apenas a torna mais complicada.

Apesar de eu não querer muitas vezes aceitar isso, tudo muda a cada instante. Quando se tem o interesse em ser uma pessoa melhor, é normal que os nossos conceitos mudem e que a pouco e pouco possamos ver a vida com outros olhos.

Se a vida é um reflexo daquilo que eu sou e se eu estou em constante mudança, como é que posso aplicar o conceito de rótulos?

Como é que numa dada situação posso decidir com base de algo no passado, se eu neste preciso momento já não sou a mesma pessoa que era quando a primeira situação aconteceu?

Isto também acontece com pessoas. Com base no comportamento de uma pessoa generalizo todo um grupo para saber como lidar com elas, para me adaptar ao comportamento delas.

Mas o mais curioso é que eu faço isso comigo mesma. Assumo que sou determinada pessoa com base na forma como agi no passado e perante as situações não me permito ser a pessoa que podia ser.

Por um lado baseio-me no passado para saber como agir; por outro penso no futuro para decidir como agirei.

E o presente? Aquele momento em que tudo acontece? Quem é que o vive? Eu? Ou estou demasiado ocupada com aquilo que se passou e passará?

Obrigado por este dia!

Até amanhã!

Ângela Barnabé 

Joanna Kosinska

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