Quando pensava no passado, naquilo que eu era e naquilo que eu sentia, ficava sempre tentada a responsabilizar os outros por aquilo que eu experienciava.

Se me sentia insegura era porque os outros me deitavam abaixo; se tinha uma baixa autoestima era porque os outros não me valorizavam; se me sentia infeliz era porque os outros não me traziam a felicidade.

Então criou-se o filme em que eu era a vítima e os outros os vilões. Não havia hipótese; o meu futuro estava nas mãos dos escritores da tragédia que era a minha vida e eu apenas me podia deixar levar, dizendo as falas e fazendo parte da teia predestinada a acontecer.

Mas, nos últimos dias tenho refletido bastante nisso, no facto de o poder ser ou não meu para alterar o guião e mudar a minha forma de vida.

Apesar de na altura eu não ter a consciência que tenho hoje, e de não saber que podia mudar da forma que mudei, eu pude sempre bater o pé e procurar novos atores. Claro que sem uma mudança real, ia girar o disco e tocar o mesmo.

Ainda assim, sempre fui de me conformar, de me deixar ir naquilo que ia surgindo, sem ter muita certeza do que andava para aqui a fazer. Comportava-me como se não houvesse escolha, como se eu fosse uma marionete nas mãos dos outros e a pouco e pouco foi isso no que me tornei.

Passei a duvidar de mim, de dar mais importância àquilo que os outros pensavam do que aquilo que eu queria e fui-me anulando até só restar uma imensa confusão.

Não estou a partilhar isto com o intuito de me lamentar, pois apenas sou o que sou hoje graças ao meu trajeto e apesar de muitas vezes não aceitar aquilo que sou, sei que apenas posso ser melhor se o fizer.

Mas, no tempo em que eu estive a queixar-me do rumo da narrativa, podia muito bem ter rasgado o guião, pegado na caneta e escrito a minha própria história.

Obrigado por este dia cheio de momentos para acrescentar à minha história.

Até amanhã!

Ângela Barnabé 

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