O meu nome é Ângela Barnabé e sou míope. Acreditava que ia ser míope até morrer e até lá a minha visão ia piorar. 

Em 2015 comecei um processo de melhoria, usando para isso o livro “Melhore a sua Visão” de Sir Martin Brofman, mas posso dizer que não me dediquei 100% ao mesmo. Os boicotes foram muitos e provavelmente a vontade de mudar foi pouca. Ainda assim senti uma grande mudança na minha visão e para poder partilhar essa melhoria criei o Grupo Melhore a sua Visão inspirado no livro mencionado acima.

Decidi então criar uma série de artigos chamada “As Aventuras de uma Míope” para partilhar a minha experiência de melhoria de visão, incluindo a minha resistência à mudança, os meus boicotes e os momentos de clareza.

Apesar do processo de melhoria de visão não estar completo, posso dizer-vos que é um sucesso, pois a cada dia que passa vejo cada vez melhor.

Lê os artigos da série “As Aventuras de uma Míope” abaixo

Acreditava que ia ser míope até morrer e até lá a minha visão ia piorar. No início de 2013, a minha visão piorou de facto e eu achava que era o destino a concretizar-se. Mas nessa altura eu estava a passar por um período de mudanças profundas na minha vida e posso dizer que eu não queria ver muitas coisas que estavam a acontecer.

Ainda que me tivessem dito que eu poderia melhorar a minha visão ela só começou a melhorar quando decidi que queria mudar. Melhorar a visão pode ser considerado simples, mas por vezes não é tão fácil. Primeiro temos que nos responsabilizar. Se eu sou míope é porque eu criei a minha miopia e se a criei eu posso mudá-la, certo? Esse é o primeiro passo e é um dos mais difíceis.

Começar o dia com a expectativa do que aí vem, de todas as bênçãos que vamos receber ao longo do dia muda completamente a forma como o dia se desenrola. E se eventualmente cairmos na tentação de fazer as coisas como antes e em vez de agradecermos, resistirmos, podemos ter a certeza que está tudo bem. Que a vida nos dá sempre o que precisamos e que acima de tudo nós somos perfeitos da forma como somos.

Um dos meus grandes “talentos” é a resistência.

Eu resisto a tudo, tudo mesmo. Foi um comportamento que fui desenvolvendo ao longo dos anos e não é algo selectivo. Tudo o que seja diferente do que eu estou habituada é motivo para eu entrar em negação. E quanto mais estou em negação, mais acontecimentos semelhantes acontecem. E mais eu entro em negação. E assim por diante…

Eu não nasci míope, portanto via com clareza e deixei de o fazer. Se existe neste momento algo no meu corpo que não funciona correctamente, significa que há algo na minha consciência que está a fazer isso acontecer. E se o resultado é mal-estar a causa não poderá ser bem-estar, não é?

Deixar levar-me pela vida e confiar no universo tem sido um grande desafio. Existem momentos em que faço as coisas à minha maneira e volto a ver novamente tudo turvo. Mas os momentos em que confio na vida e que vejo com clareza são cada vez mais abundantes… Então como saber que estou a fazer bem? 

Estar bem é um treino. Se a minha condição de míope mostra a minha tendência para ter medo do mundo, eu tenho que treinar a minha segurança. Se tenho pensamentos de crítica e de julgamento tenho que treinar o amor em relação a mim mesma e aos outros. Nunca achei que fosse fácil melhorar a minha visão.  Mas também sempre me disseram que aquilo que realmente queremos é aquilo que acabamos por conseguir.

Então, porque é que eu ainda não vejo claramente e a minha vida não deu uma volta de 180°? Com esta pergunta não pretendo de forma alguma banalizar todo o trabalho feito por mim, nem mesmo colocar-me no papel de vítima e achar que as coisas deviam ter acontecido de uma forma diferente. O meu objetivo é partilhar a experiência que adquiri com estes dois programas.

Queria sentir-me bem comigo mesma, ser feliz e sentir-me realizada, mas estava à espera da aprovação e do amor dos outros. Queria sentir-me segura e autoconfiante e deixar-me fluir com a vida, mas fazia as coisas à minha maneira. Queria ter uma visão clara, mas deixava que conceitos obsoletos toldassem o meu olhar.

 

Desde que comecei a escrever esta série de artigos, tenho tentado falar mais abertamente dos meus medos. Por vezes só me permito falar deles depois de os ter “ultrapassado”, ou seja, quando penso que eles já não me incomodam. Mas, outras vezes permito-me ser honesta e partilho com os que me rodeiam quais os meus medos. São medos um pouco ridículos, mas são eles que contribuem em grande parte para a minha falta de visão.

 

Sempre pensei que um dos objectivos para a vida de qualquer um seria evitar problemas. Quando escrevo isto não me refiro a não entrar em confusões (claro que isto seria de evitar), mas sim à necessidade de me afastar das coisas que me levariam a trabalhar aspectos em mim, à necessidade de ficar na minha zona de conforto.

 

Se uma área da minha vida não flui, não estou bem. A miopia não é diferente da diabetes, do cancro, nem de uma adição. É uma “doença” e só depois de a ver como tal fui capaz de decidir que queria resolver o problema. Se calhar essa decisão ainda não foi tomada, pois ainda não vejo claramente, mas com todo este processo também aprendi que apenas vemos aquilo que conseguimos conceber e a partir do momento que tomamos ação os véus começam a cair e a visão a clarear.

 

Ao longo do meu processo de melhoria de visão, fui prestando atenção àquilo que conseguia ver mais claramente. Depressa me apercebi que não consegui focar as expressões faciais das pessoas, se elas se encontrassem longe de mim. Multidões faziam-me ficar ansiosa, stressada e a minha visão piorava significativamente.

 

Desde sempre me habituei a desresponsabilizar-me perante as situações. Não só considerava que eu não tinha nada a ver com as situações que me aconteciam, mas também deixava que as situações influenciassem o meu estado de espírito. No fundo a vida é um reflexo daquilo que sou. Se quero que a vida seja diferente, tenho que mudar o que sou e para isso tenho que me responsabilizar.

 

Nas reflexões diárias que tenho escrito, respondi a uma pergunta que me tenho feito ultimamente e que é a resposta, tanto para o problema da miopia, como para qualquer “problema” na minha vida. Essa resposta é CONFIAR. Não posso deixar de frisar o quão importante e vital é confiar na vida.

 

 

Quando comecei o programa de melhoria de visão, estava focada unicamente no alcance da clareza. Aliás, achava que essa era a única coisa que importava. Mas à medida que fui tirando os véus que estavam a encobrir a minha visão, libertando-me de conceitos “errados” em relação a mim mesma e ao mundo, fui vendo que o mais importante de todo este processo é toda a mudança que ocorreu na minha vida.

 

Tenho-me interrogado sobre o porquê das oscilações na clareza com que vejo o mundo. Será que eu não vejo bem as coisas porque não “abro os olhos”? Quantas vezes passo por coisas e apenas reparo nelas passado bastante tempo? Quanto tempo demoro a verificar uma mudança na minha vida? Será que muitas vezes vejo “mal” porque ainda estou agarrada à ideia de falta de clareza?

 

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