Aquilo que me move – 24 de 365

aquilo que me move

Um dos objetivos que eu tenho colocado para o meu dia-a-dia é sentir-me bem comigo mesma e estar atenta àquilo que vou fazendo. Tenho prestado atenção ao que me move diariamente e tenho ficado bastante surpreendida.

O que é que me vai motivando para agir? É o que é suposto ou é o prazer de fazer as coisas?

Como é que eu me sinto em relação ao meu corpo? Estou-lhe grata pelas funções que ele desempenha ou considero-o um inimigo?

Como são as minhas relações com os outros? Aceito aqueles que me rodeiam ou procuro a sua aprovação constantemente?

Isto são perguntas que me ajudam a medir o estado em que me encontro e que me ajudam principalmente a tomar consciência do quão adormecida eu estou.

Muitas vezes dava a desculpa que ao longo do tempo fui assumindo comportamentos e que era automático reagir desta e daquela maneira. Isso tirava de cima de mim a responsabilidade de agir como agia e também a responsabilidade de mudar.

Mas depressa cheguei à conclusão que eu sou sempre responsável pela maneira como ajo e que por isso posso mudar, quando tomar essa decisão. Aliás, se algum comportamento me impede de viver de maneira plena é mesmo da minha responsabilidade operar uma mudança para reverter a situação.

Existem muitos momentos (mas menos no que antes) em que ainda reajo às situações. Existem momentos em que penso na estupidez que é resistir, mas depressa me apercebo que é tudo parte de uma aprendizagem e que se aquilo que me move for o crescimento constante, não há como não ser levada para algo cada vez melhor.

Grata por este da repleto de mudança,

Ângela Barnabé

Para que algo mude eu tenho que mudar – 23 de 365

para que algo mude eu tenho que mudar

Durante muito tempo iludi-me com a ideia de que poderia mudar aqueles que me rodeavam, para que as coisas na minha vida mudassem. Focava-me no exterior, naquilo que devia ser alterado na minha realidade, para que eu pudesse ser realmente feliz.

Mas a verdade é que a minha vida e a realidade que experiencio são reflexos de mim mesma. Para que algo mude eu tenho que mudar. E ao contrário do que se possa pensar esse processo de mudança é  algo profundo.

Não basta mudar rotinas, mudar de casa, emprego ou alimentação; aliás às vezes essas mudanças são formas de fugir ao fazer aquilo que é preciso. É preciso mudar a postura e a consciência em relação à vida.

É uma mudança que abana a estruturas, que muitas vezes traz à tona aspetos que querem ser mantidos escondidos. É uma mudança que deixa irreconhecível quem por ela passa.

Muitas vezes tentei abordar esta transformação com superficialidade, procurando alterar apenas aquilo que me interessava, mas esse caminho não me levou longe.

Hoje enquanto escrevo esta texto penso em toda a mudança que se operou nestes 6 anos da minha vida. Por um lado vejo a minha resistência e todo o sofrimento que ela causou; por outro vejo a beleza de todo um processo de metamorfose que me levou a ser quem sou hoje.

Quem sabe o que o futuro reserva e as mudanças que ainda estão por vir.

Grata por este dia repleto de mudança,

Ângela Barnabé

No momento certo – 22 de 365

No momento certo

Desde que comecei a ver a vida de outra maneira que comecei a ter em mente a importância de ter objetivos. São eles que me movem para a frente e que me dão um rumo a seguir.

Quando tenho um objetivo, tenho que colocar ação e largar, confiante que tudo aquilo com que me deparo é o que eu preciso para poder alcançar aquilo que desejo.

É fácil, no meio da ilusão das aparências, achar que nada está a acontecer e que o caminho que eu devia seguir seria outro. É fácil cair na tentação dos “devias” e pensar que já devia estar em determinado patamar e ter isto ou aquilo.

Mas também é pouco inteligente.

Até hoje tudo aconteceu na minha vida no momento certo. Todo o percurso que me levou de onde eu estava até onde eu queria ir, permitiu-me ficar preparada para apreciar o que eu buscava.

Querer as coisas antes do tempo ou questionar o fluxo das coisas impede-me de ver o que realmente interessa e de aproveitar o que vou tendo no momento para me ajudar a sentir preparada para aquilo que virá.

Cada vez tomo mais consciência do quão cega eu estou para aquilo que acontece, fico mais atenta a quantas coisas importantes me passam ao lado e apercebo-me da grande estupidez que é julgar aquilo que acontece na minha vida.

Se eu faço a minha parte, porque é que não confio plenamente na vida e aprecio o percurso?

Grata por este dia repleto de momentos perfeitos,

Ângela Barnabé

A vida é uma dança – 21 de 365

A vida é uma dança

Desde miúda que admiro os dançarinos e aquilo que eles fazem: a leveza dos seus movimentos, a sua coordenação e a fluidez com que se movem ao som da música.

Nos momentos da minha vida em que tive a oportunidade de fazer aquilo que sempre admirei (dançar) procurei sentir aquela leveza, mas a verdade é que não consegui.

Claro que em grande parte isso se deveu à minha falta de prática, mas senti que uma parte de mim não me permitia entregar pura e completamente à atividade que estava a desempenhar.

Transportando isso para outras áreas no meu dia-a-dia, vejo que essa falta de entrega se aplica em vários momentos.

Não se trata de fazer mal as coisas ou de não saber desempenhar determinadas tarefas; trata-se de me sentir a fazer parte com o que estou a fazer e sentir que a intuição comanda a ação e a mente fica parada sem qualquer julgamento.

A vida uma dança e tenho que aprender a viver consoante a sua melodia, com a alegria de quem se entrega a um passo de dança e permite que o corpo encontre o seu ritmo.

São cada vez mais frequentes os momentos em que sinto essa entrega e faço as coisas como se nada mais existisse no mundo.

Porque na verdade a única coisa que eu tenho garantida é a efemeridade da vida. Todos os momentos passam, as pessoas vão e vêm e cada segundo não aproveitado é um segundo não vivido, que não volta nunca mais.

Grata por mais um dia na dança da vida,

Ângela Barnabé

Tudo faz parte de um processo – 20 de 365

Tudo faz parte de um processo

A vida é um constante processo de evolução e crescimento. Ao longo do seu percurso existem caminhos a percorrer para que eu possa aprender algo ou que me permitem chegar onde pretendo.

Apesar de eu saber que tenho que passar por um determinado processo e que nada acontece de um dia para o outro, ainda existe uma parte de mim que quer evitar isso, procurando atalhos.

Existem ainda fragmentos da cultura do instantâneo em mim e isso faz com que eu queira as coisas para ontem, ou ainda pior: que eu queira colher sem semear.

Por muito que eu evite o crescimento, por muito que eu adie o passar por uma situação, mais cedo ou mais tarde irei deparar-me com o que eu preciso de lidar. Por muito que eu queira apressar algo, por muito que eu procure um caminho mais rápido, nada pode acelerar o processo natural de evolução.

Olhando para trás e observando tudo aquilo que eu adiei e todos os processos pelos quais eu evitei passar, vejo claramente que tudo seria mais simples se eu tivesse aceitado aquilo que me era apresentado, sem julgar e confiasse que seria capaz de lidar com tudo aquilo que fosse preciso.

Mas ver isso também faz parte do processo de aprendizagem e tudo aquilo que eu adiei trouxe-me até aqui, onde estou hoje na minha vida.

Resumindo: tudo faz parte de um processo e mesmo que eu resista e adie o seu desenvolvimento, vou ser sempre encaminhada para aquilo que eu preciso e para aquilo que permite que a minha jornada seja sempre a melhor.

Grata por este dia repleto de aprendizagens,

Ângela Barnabé

A vida dá muitas voltas – 19 de 365

Posso afirmar com toda a certeza que a vida dá muitas voltas. E apesar de muitas vezes eu pensar que essas voltas são ao acaso, a verdade é que tudo acontece por um motivo.

Nunca poderia imaginar algum dia estar onde estou neste momento, com a vida que tenho, sendo a pessoa que sou.

No percurso que me trouxe até aqui duvidei muitas vezes da perfeição da vida, criando situações que poderiam ter sido facilmente evitadas. Mas olhando para trás vejo que tudo o que aconteceu teve uma razão para isso.

É certo que no meio de tantas complicações, sempre havia um caminho mais fácil para percorrer. Que no meio de tanta ansiedade e preocupação poderia ter havido mais confiança no fluxo e processo da vida.

Mas tudo isso trouxe-me aprendizagens. Não poderia estar aqui a escrever, admirando a forma como as coisas acontecem se não estivesse experienciado isso em primeira mão.

Isso hoje permite-me olhar para a vida de uma outra perspectiva e quem sabe ajuda-me a confiar mais e julgar menos.

A vida dá muitas voltas e quando menos esperamos tudo muda. As coisas passam e ficamos apenas com aquilo que usufruímos e valorizamos.

Talvez o meu percurso seja uma forma de me alertar para a efemeridade da vida e para o facto de eu passar a maior parte do meu tempo ( e talvez mesmo todo) a dormir, inconsciente para aquilo que me rodeia.

Grata por este dia repleto de mudança,

Ângela Barnabé

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