Algo que eu tenho notado (e não é de agora) é que eu me sinto segura se tudo estiver a correr da forma como acho que tudo o deve fazer. Assim que as coisas saem um pouco do esquema, entra a dúvida e a insegurança. Mas a verdade é que os meus julgamentos vem de crenças que na maioria das vezes foram criadas pelo medo. Quando confio e sei que tudo o que preciso vem até mim, consigo ver com clareza a perfeição com que tudo acontece.
Quando iniciei o meu processo de mudança, a tendência foi querer mudar e resolver tudo de uma vez. Mas depressa percebi que, apesar de a mudança ter de ser total, começa com pequenos passos. Sempre que tentei mudar tudo, acabei frustrada e desisti. Mas sempre que começo devagar, consigo ser consistente e ver a mudança a acontecer realmente.
Às vezes a tendência é preocupar-me com o que possa vir a acontecer e tentar preparar-me para todas as possibilidades. Mas, esqueço-me que em todos os momentos tenho tudo o que preciso para lidar com as situações e que não é necessário tentar planear nada. No momento certo, estará lá!
Ontem, no artigo que publiquei, falei sobre como sentia falta da “vulnerabilidade” a que me permiti quando escrevia as reflexões diárias. Estas reflexões surgiram numa altura da minha vida em que senti que tinha que abandonar muitas coisas, principalmente muitos medos.
Estava numa fase de tomar decisões importantes, decisões essas que iriam alavancar muitas mudanças na minha vida e por isso queria sentir-me livre para poder começar de novo, de preferência sem medos.
E qual era o meu maior medo? Que as pessoas não gostassem de mim. Que eu ao mostrar aquilo que sentia realmente, as minhas “fraquezas”, chegassem à conclusão que eu não era merecedora de amor.
No entanto, o resultado foi completamente o oposto: para além de sentir que as minhas partilhas eram importantes, aconteceu algo ainda mais espetacular: comecei a ver-me de uma maneira diferente e a minha autoestima começou a melhorar. Aquilo que os outros pensavam de mim passou a não ser tão importante quanto era (apesar de ainda ser algo que preciso trabalhar atualmente).
Atualmente sinto que preciso dar um novo salto. E desta vez preciso libertar-me do perfecionismo. Voltei a desafiar-me a escrever um artigo todos os dias, como um primeiro passo para esta mudança que necessito.
Tenho andado com alguma dificuldade em iniciar (ou melhor em apostar mais) na criação de conteúdo. Eu gosto muito de escrever, de gravar vídeos e de todo o processo de criação, mas sinto-me sempre presa.
Parece que estou agarrada à ideia de que tenho que ter tudo definido para começar. E quando está tudo definido, não está bom o suficiente. E se calhar é melhor começar no dia 1 do próximo mês…
Estou constantemente a arranjar motivos para adiar e para justificar o porquê de não apostar mais neste lado criativo da minha vida.
Nas restantes áreas da minha vida, não tenho sentido esta “dificuldade”; tenho colocado ação nas coisas e, apesar de estar a viver um momento delicado na minha vida, tenho sentido entusiasmo em avançar, em procurar novas novas formas de levar o projeto do qual eu faço parte em frente e a mais pessoas…
Acho que a melhor explicação para tudo isto é o perfeccionismo. Estou “farta” de falar e escrever sobre isto, mas neste momento também estou farta de permitir que esta tendência controle a minha vida.
Sinto um pouco falta da “vulnerabilidade” a que me permiti quando escrevia as reflexões diárias no blog. Todos os dias durante praticamente um ano, escrevi um artigo todos os dias. Uns dias eram mais bonitos, outros menos, mas o que importava era escrever e partilhar o que sentia para me libertar.
Este “desabafo” vem um pouco no seguimento dessa procura da vulnerabilidade e de me responsabilizar pelo meu perfecionismo e pela minha falta de ação nesta área.
Obrigada por estarem desse lado e por me ouvirem (ou lerem).
Março foi um mês recheado de reflexões e emoções. É o mês em que começa uma das minhas épocas favoritas do ano: as plantas florescem, começam a nascer as novas gerações de animais ( e aqui pela comunidade António Shiva começam a nascer pintainhos) e parece que eu própria floresço para uma nova era de crescimento.
Uma das reflexões que trago de Março é sobre a efemeridade da vida e sobre o quanto eu não valorizo o momento presente. Estou constantemente na minha mente, estou aqui, mas já estou ali, a pensar no que vem a seguir, o que vou fazer quando acabar o que tenho em mãos neste momento. E o tempo passa e tudo me passa ao lado. Mas é ao ter estes “insights” que posso mudar aquilo que não faz sentido e que me impede de estar consciente.
Quero partilhar a minha gratidão por todas oportunidades de crescimento que este mês me trouxe; apesar de por vezes não conseguir ver o benefício das situações, a verdade é que no fim tudo o que me acontece é sempre o melhor para mim.
Quero também agradecer a todas as pessoas que me acompanham nesta caminhada que é a vida e que me ajudam a ser uma pessoa cada vez melhor.
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