Tenho andado com alguma dificuldade em iniciar (ou melhor em apostar mais) na criação de conteúdo. Eu gosto muito de escrever, de gravar vídeos e de todo o processo de criação, mas sinto-me sempre presa.
Parece que estou agarrada à ideia de que tenho que ter tudo definido para começar. E quando está tudo definido, não está bom o suficiente. E se calhar é melhor começar no dia 1 do próximo mês…
Estou constantemente a arranjar motivos para adiar e para justificar o porquê de não apostar mais neste lado criativo da minha vida.
Nas restantes áreas da minha vida, não tenho sentido esta “dificuldade”; tenho colocado ação nas coisas e, apesar de estar a viver um momento delicado na minha vida, tenho sentido entusiasmo em avançar, em procurar novas novas formas de levar o projeto do qual eu faço parte em frente e a mais pessoas…
Acho que a melhor explicação para tudo isto é o perfeccionismo. Estou “farta” de falar e escrever sobre isto, mas neste momento também estou farta de permitir que esta tendência controle a minha vida.
Sinto um pouco falta da “vulnerabilidade” a que me permiti quando escrevia as reflexões diárias no blog. Todos os dias durante praticamente um ano, escrevi um artigo todos os dias. Uns dias eram mais bonitos, outros menos, mas o que importava era escrever e partilhar o que sentia para me libertar.
Este “desabafo” vem um pouco no seguimento dessa procura da vulnerabilidade e de me responsabilizar pelo meu perfecionismo e pela minha falta de ação nesta área.
Obrigada por estarem desse lado e por me ouvirem (ou lerem).
Numa das intenções que partilhei anteriormente, “Estar atenta ao perfeccionismo”, comprometi-me a partilhar aqui no blog a evolução do projeto de crochet que comecei e o seu resultado final.
O meu objetivo era trabalhar a minha tendência para abandonar algo que comecei, sempre que as coisas não correm de forma “perfeita”. E por isso, decidi fazer um tapete, com restos de tecido e lã e ainda que não estivesse a ficar como imaginei, tinha como intenção terminá-lo.
Mas como em tudo na vida, as coisas não correram como esperado e fui levada a trabalhar o perfeccionismo de maneira diferente do que estava a imaginar.
À medida que fui avançando, comecei a perceber que a minha escolha de tecidos e de lã não foi a melhor e que isso iria afetar o resultado final: em vez de terminar com um tapete, iria terminar com um triâgulo desajeitado.
Então cheguei a um “impasse”: ou continuaria a fazer sabendo que nunca teria um tapete, ou então mudava o rumo, transformando o “tapete” em algo que fizesse mais sentido.
O perfeccionismo “atacou” e dei por mim a pensar que se a ideia era fazer um tapete tinha que manter esse rumo. Mas, como a intenção era trabalhar o perfeccionismo, decidi mudar e foi-me sugerido transformar o que já tinha em uma pega de cozinha.
E foi isso que fiz. Abaixo deixo as fotos…
Já comecei um novo projeto. Não sei qual será o resultado final, mas partilharei aqui o que fizer.
Nas últimas semanas tenho partilhado sobre o perfeccionismo e sobre a minha dificuldade em aceitar e lidar com o que estou a sentir.
O perfeccionismo que ainda habita em mim afeta diversas áreas e uma das principais é o meu processo de aprendizagem.
Para mim ( e talvez para outras pessoas) o processo de aprendizagem pode ser um pouco desconfortável, principalmente quando não sou “boa” a fazer as coisas. Por exemplo, quando comecei a fazer bolos, algo que eu gosto muito de fazer, sinto que o processo foi agradável, porque os resultados iniciais foram relativamente bons.
Atualmente considero-me uma boa pasteleira e devo isso a todo o processo de aprendizagem.
Mas, em coisas que não sou naturalmente boa, já vejo o processo de aprendizagem de outra maneira. Muitas vezes tenho vontade de desistir e nos últimos tempos tenho procurado mudar isso.
Por isso, quero relembrar-me da importância de estar grata a tudo e quero agradecer a todos os processos de aprendizagem que passei e que ainda terei que passar.
Estou grata pela oportunidade de aprender. Não só por aquilo que isso me proporciona na prática, como também por tudo aquilo que me dá a conhecer sobre mim.
Por exemplo, ao aprender crochet, para além de estar a aprender como criar peças através do crochet, também tive a oportunidade de tomar consciência do quanto o perfeccionismo ainda me afeta.
Estou também grata ao meu corpo por me permitir aprender a fazer aquilo que quero (e também aquilo que muitas vezes preciso). Estou grata às pessoas que me cercam e que me incentivam a aprender e que partilham comigo a sua experiência para que o meu caminho de aprendizagem seja mais suave.
E estou também grata à oportunidade de partilhar todas as minhas aprendizagens com todos aqueles que leem o meu blog e que vão acompanhando esta minha viagem.
2026 começou há poucos dias e provavelmente muitas promessas já foram feitas sobre aquilo que iria ser diferente este ano. Mas, na maioria das vezes tudo continuará igual, porque o novo Ano não muda nada se nós não mudarmos.
Já fui refém destas promessas e também da frustração de chegar ao final de um ano, sem ter cumprido nada daquilo que tinha prometido. Também sei o que é começar um novo com uma lista de objetivos que ficarão rapidamente esquecidos.
Hoje encaro o começo do ano de uma maneira diferente. Claro que esta data tem uma importância especial para mim e tirei um tempo para definir alguns objetivos para 2026. Mas todas as mudanças que quis implementar foram sendo aplicadas a pouco e pouco no dia-a-dia, mesmo antes do ano começar.
Este ano quero estar mais grata, mas comecei a sê-lo assim que me apercebi da importância da gratidão. Quero escrever mais para o meu blog e já comecei a organizar o conteúdo para que o possa fazer.
O início do ano é uma ótima altura para definirmos objetivos, para nos direcionarmos neste novo ano. Mas, daqui a um mês é também será um bom momento. É sempre um bom momento para decidir mudar. E é no momento que decidimos mudar que a mudança começa a acontecer.
A semana passada partilhei a minha gratidão pelo facto de estar vida e com saúde e por todas coisas que isso me permite experienciar. De entre todas elas, hoje quero realçar o quão estou grata por poder observar o pôr do sol.
Nesta altura do ano, escurece mais cedo e por isso é mais fácil para mim tirar um tempo para observar este fenómeno. E sempre que o faço não posso deixar de agradecer pela oportunidade de o fazer.
Mas para que o possa fazer, tenho que contar com outros aspectos, aos quais não me posso esquecer de manifestar a minha gratidão.
Quero agradecer aos meus olhos. Quando fui diagnosticada com miopia, fiquei chateada com o facto de os meus olhos não funcionarem bem. Mas depois de um processo de recuperação, e de ter consciência que o problema estava na minha consciência e não nos meus olhos, finalmente amo-os e, graças a eles posso ver claramente todas as maravilhas que este mundo tem.
Nesta linha de raciocínio quero também agradecer ao facto de ter aproveitado a oportunidade de melhorar a minha visão e a todo o percurso que me trouxe até aqui. Foi um caminho de grande transformação e sei que sou a pessoa que sou hoje graças a toda esta caminhada. Estou também grata pelas ferramentas que usei e que ainda uso e por todas as pessoas que partilharam comigo os passos que tinha de dar para chegar onde cheguei.
Quero agradecer também por me dar a mim mesma a oportunidade de parar e de apreciar as pequenas coisas da vida. Antes tudo isso me passava ao lado. O observar o pôr-do-sol, por exemplo, era algo que muitas vezes dei como garantido, porque todos os dias acontece e amanhã haverá mais um. Mas será que estarei cá amanhã para o ver?
Quero agradecer também, é claro, ao nosso planeta e ao Sol, por todos os dias me proporcionarem o espetáculo que é o pôr-do-sol.
A vida é feita de pequenas coisas, de pequenos momentos. E estou tão grata por puder estar cá a usufruir deles.
Uma das intenções que tenho para o ano de 2026 é focar-me mais em estar grata e sempre que possível partilhar essa gratidão com todos que me rodeiam. Por isso, utilizando o meu blog como ferramenta para isso mesmo, quero agradecer hoje por algo que eu considero muito importante e que me permite, por exemplo, estar a escrever este texto: estar viva e com saúde. Normalmente só me lembro de agradecer por ter saúde quando fico doente. E depois, quando já estou bem, esqueço-me novamente de estar grata.
Observo à minha volta que muita gente mais velha do que eu, relembra com saudade, toda a saúde e vigor que tinha quando era da minha idade. Muito provavelmente, assim como eu, na altura não valorizavam nem agradeciam por isso.
Portanto, hoje expresso a minha gratidão por este dia. Estou grata por estar viva e com saúde, por ter acordado com energia, com saúde e por poder realizar tudo o que quero e preciso fazer. Estou grata por me poder movimentar, pelo meu corpo e por todas as experiências que me permite ter.
Por poder saborear a comida que me nutre, por sentir seja o conforto no Inverno, seja a energia do Verão. Por poder apreciar a limpeza após um banho quentinho, ou fresquinho.
Por poder correr, saltar, andar. Pelas caminhadas que dou com a Zara, a minha cadela. Pelas festinhas e brincadeiras que tenho com ela.
Por poder apreciar o nascer e pôr do sol com os meus olhos. Pelo cheiro a terra molhada ou aquele cheiro a pinhal num dia de calor.
Por poder abraçar e ser abraçada. Por poder rir até me doer a barriga ou chorar até sentir que lavei a minha alma.
Obrigada corpo por seres o veículo da melhor vida que poderia ter. Que eu te estime e te agradeça sempre! Obrigada!
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