Quando se tem uma mente treinada para estar focada no que não deve, é importante treiná-la para que se foque naquilo que realmente interessa. E para isso é muito importante estar atenta àquilo com o qual ela se vem mantendo ocupada.

Com os conceitos que fui criando da vida, a estabilidade era uma meta a alcançar porque só ela poderia impedir que ansiedade acontecesse. Como é que eu podia estar relaxada e confiante quando tudo estava sempre a mudar? As coisas tinham que ser programadas e tudo tinha que acontecer dentro aquilo que eu esperava.

Mas a verdade é que eu estava bem enganada. Quanto mais procurava a estabilidade e me fechava à mudança constante que acontecia “lá fora”, mais ansiosa estava e mais medo tinha de me lançar no corrupio de acontecimentos do dia-a-dia.

Tive que despertar para a realidade de que tudo aquilo que vale a pena viver, tudo aquilo que eu sempre quis alcançar está no meio de todo aquele aparente caos de acontecimentos que eu não consigo controlar. Está no resolver uma situação e ter que lidar com uma visão diferente do mundo. Está no desconhecido, fora da bolha que eu criei para me proteger.

E para que eu possa mergulhar de cabeça e aproveitar tudo aquilo que acontece, tenho que estar sempre atenta à minha mente.

Não posso deixar que pensamentos de dúvida surjam e que em vez de confiar em mim e no fluxo das coisas, ocupe o meu tempo preocupada com aquilo que pode vir a acontecer.

Não posso permitir que o julgamento tolde a minha visão e que a minha mente crie rótulos daquilo que vai acontecendo, impedindo-me de retirar o melhor de cada situação.

Não posso nem quero permitir que cada dia seja mais um dia passado com medo e com baixa autoestima.

Quero sim que cada dia seja visto como mais um infinito número de possibilidades para ser feliz, para me sentir realizada e para agradecer cada pequeno passo nesta caminhada que é a vida.

Grata por este dia repleto por motivos para estar atenta,

Ângela Barnabé

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