pôr as mãos na massa

Apesar de em criança não me importar de me sujar enquanto brincava, à medida que fui crescendo comecei a  querer fechar-me numa bolha.

Isso pode parecer insignificante, mas hoje, enquanto punha literalmente as mãos na massa e fazia uns biscoitos, refleti na barreira que coloco entre mim e os acontecimentos.

Quero chegar a um destino, mas não quero fazer o percurso que me leva até lá. Não me quero “sujar”, quero levar aquilo que quero sem me envolver.

Escrevo isto pensando naquelas situações em que quero sentir, vibrar com aquilo que estou a viver, mas que escolho colocar-me à distância.

As crianças não se preocupam com o amanhã, com os “comos”. Vão, “atiram-se de cabeça” e vivem realmente aquilo que estão a ver e a sentir.

Não posso querer envolver-me apenas um pouco com a vida, naquela zona segura e conhecida. Há que dar um passo em direção àquilo que desconheço e pôr as mãos na massa.

Espalhar a farinha, partir os ovos… Vibrar com todos os ingredientes…

A vida é isso mesmo. Não é perigosa, nem madrasta. É uma amiga que nos acompanha nas brincadeiras, que nunca nos abandona e que nos dá aquilo que precisamos no momento certo!

Obrigado!

Ângela Barnabé

Foto original por Daiga Ellaby on Unsplash

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