A semana passada partilhei a minha gratidão pelo facto de estar vida e com saúde e por todas coisas que isso me permite experienciar. De entre todas elas, hoje quero realçar o quão estou grata por poder observar o pôr do sol.
Nesta altura do ano, escurece mais cedo e por isso é mais fácil para mim tirar um tempo para observar este fenómeno. E sempre que o faço não posso deixar de agradecer pela oportunidade de o fazer.
Mas para que o possa fazer, tenho que contar com outros aspectos, aos quais não me posso esquecer de manifestar a minha gratidão.
Quero agradecer aos meus olhos. Quando fui diagnosticada com miopia, fiquei chateada com o facto de os meus olhos não funcionarem bem. Mas depois de um processo de recuperação, e de ter consciência que o problema estava na minha consciência e não nos meus olhos, finalmente amo-os e, graças a eles posso ver claramente todas as maravilhas que este mundo tem.
Nesta linha de raciocínio quero também agradecer ao facto de ter aproveitado a oportunidade de melhorar a minha visão e a todo o percurso que me trouxe até aqui. Foi um caminho de grande transformação e sei que sou a pessoa que sou hoje graças a toda esta caminhada. Estou também grata pelas ferramentas que usei e que ainda uso e por todas as pessoas que partilharam comigo os passos que tinha de dar para chegar onde cheguei.
Quero agradecer também por me dar a mim mesma a oportunidade de parar e de apreciar as pequenas coisas da vida. Antes tudo isso me passava ao lado. O observar o pôr-do-sol, por exemplo, era algo que muitas vezes dei como garantido, porque todos os dias acontece e amanhã haverá mais um. Mas será que estarei cá amanhã para o ver?
Quero agradecer também, é claro, ao nosso planeta e ao Sol, por todos os dias me proporcionarem o espetáculo que é o pôr-do-sol.
A vida é feita de pequenas coisas, de pequenos momentos. E estou tão grata por puder estar cá a usufruir deles.
Já partilhei diversas vezes que a maior mudança que senti na minha caminhada em direção à melhoria de visão, foi a enorme alteração que aconteceu na forma como me vejo a mim, à vida e ao mundo.
Sempre tive bastante dificuldade em olhar para mim com amor. Na adolescência comparava-me aos que me rodeavam e cobrava-me pelo facto de ser diferente. Lembro-me de muitas vezes me questionar porque é que eu me sentia tão inadequada perante os outros.
Quando comecei o meu processo de mudança, há quase 13 anos, e mais tarde o processo de melhoria de visão, uma das minhas grandes dificuldades foi modificar a imagem de tinha de mim mesma.
À medida que o tempo foi passando, fui aplicando as ferramentas que tinha, mas sentia-me quase uma impostora, porque sentia que estava a mentir a mim mesma. Eu não gostava do meu corpo, sentia-me insegura e não me achava merecedora de amor.
Mas colhemos aquilo que semeamos e ao focar-me naquilo que queria ser e sentir, fui criando uma nova visão de mim mesma.
O meu aspecto físico já não desempenha um papel tão importante; o que passou a ser essencial foi tomarconsciência que meu corpo é o veículo que me permite viver a melhor vida possível. Por me ver com amor, o meu corpo foi mudando, e tudo aquilo que antes via como imperfeições passou a ser aquilo que mais admiro em mim mesma.
A insegurança que me dominava, foi aos poucos sendo substituída pela segurança. Agi muitas vezes com medo, é verdade, mas agora consigo ver cada situação como um desafio e fico entusiasmada por ter que lidar com situações que anteriormente me fariam sentir bloqueada e frustrada.
E à medida que fui olhando para mim com amor, fui-me sentindo merecedora dele. Eu era a primeira a criticar-me, a julgar-me. Era tão rígida comigo mesma. Mas hoje, por ter mudado a visão de mim, tenho mais facilidade em aceitar-me como sou.
Ainda tenho um caminho pela frente e os, ainda que poucos, momentos de falta de clareza são sinónimo disso, mas é tão bom ver-me com outros olhos.
Enquanto observadores, cada um de nós altera o resultado de cada situação. Não podemos controlar o que vai acontecer, nem a forma como acontece mas podemos, através da nossa visão, influenciar aquilo que iremos colher.
Vou dar um exemplo daquilo que me tem vindo a acontecer. Nos últimos meses, tenho vindo a ser presentada por situações que eu queria experienciar, mas que ao mesmo tempo adiava, com o pretexto de ainda não estar preparada para lidar com elas.
A vida, com a sabedoria do seu fluxo, foi-me mostrando que eu estava de facto preparada para lidar com aquilo que queria. E como é que isso me foi mostrado? Ao ter a oportunidade de mergulhar de cabeça nos meus objetivos.
A minha consciência ainda apresenta limitações e como tal por vezes ainda tenho alguma dificuldade em lidar com as emoções que vou sentindo e principalmente em criar aquela segurança e confiança, que é a base de uma vida plena.
Portanto, tenho tido como objetivo principal no meu dia-a-dia sentir-me segura, porque sei que no momento que deixo a insegurança entrar, as coisas começam a desandar. Vem a dúvida, vem o medo e começo a ver o mundo com filtros bem cinzentos.
Acontecimentos que poderiam contribuir para o meu bem-estar e crescimento, alimentam ainda mais a minha insegurança. Mas basta mudar a forma como vejo as coisas, que as coisas mudam.
Esses acontecimentos que anteriormente eram vistos a cinzento, passam a estar cobertos de cor e de sentido. Tudo o que eu tinha a aprender com a situação torna-se claro e é como se uma sensação de perfeição caísse sobre mim.
Eu não controlo aquilo que acontece, nem a forma como os acontecimentos se desenrolam. Mas posso deleitar-me ao observar tudo a fluir, sabendo que sou eu, com a minha postura de entrega que permito que assim aconteça.
Apesar de não escrever um texto da série “ As Aventuras de uma Míope” há bastante tempo, continuo a trabalhar na melhoria da minha visão. Partilho o meu dia-a-dia nas minhas reflexões diárias e à medida que vou expandindo a minha consciência, vou também expandindo o meu campo de visão.
Estou a escrever este texto, porque nos últimos dias tenho observado a evolução na minha visão. Têm sido muitos os momentos em que vejo claramente aquilo que me rodeia.
Tenho-me interrogado sobre o porquê das oscilações na clareza com que vejo o mundo. Será que eu não vejo bem as coisas porque não “abro os olhos”?
Quantas vezes passo por coisas e apenas reparo nelas passado bastante tempo? Quanto tempo demoro a verificar uma mudança na minha vida?
Será que muitas vezes vejo “mal” porque ainda estou agarrada à ideia de falta de clareza?
Eu sei que a clareza de visão (ou a falta dela) é causada pelo meu estado de espírito. Mas tenho pensado que muitas vezes eu transporto determinados estados de espirito do passado para o momento presente.
Se no passado, perante uma dada situação, me senti ansiosa, acredito que hoje, perante a mesma situação, me sentirei na mesma assim.
Mas as coisas mudaram. Sou uma pessoa diferente e aquilo que posso sentir é também diferente.
Será que o problema é eu não abrir os olhos para as mudanças que foram ocorrendo?
Fui passear em Lisboa, nas zonas com mais movimento. Antes, só de pensar que provavelmente teria que “enfrentar” uma multidão ou que seria obrigada a interagir com situações fora da minha zona de conforto ficava logo ansiosa e arranjava inúmeros motivos para ficar em casa.
Quanto mais me fechei à vida, mais limitada ficou a minha visão e a forma como via o mundo estava repleta de preconceitos baseados no medo na culpa… Via o mundo através de umas lentes bastante escuras e cada vez mais tinha provas daquilo que eu acreditava.
O problema não era o mundo, nem as pessoas. O “problema” era eu.
Quanto mais me focava num mundo perigoso, mais situações via que comprovavam aquilo que eu achava que sabia.
Mas quando comecei a ver o mundo através de outros olhos, tudo se transmutou. Parece que fui transportada para um mundo paralelo e que as mesmas pessoas, os mesmos lugares e as mesmas situações mudaram completamente.
Bastava estar no meio de uma multidão para a minha visão ficar turva. Mas isso não aconteceu.
Vi mais claramente do que poderia imaginar, quando me encontrava rodeada daqueles que outrora eu via como inimigos imprevisíveis, que a qualquer momento me poriam à prova e me fariam sair da minha zona de conforto.
O mundo não é um lugar perigoso.
O perigo é a minha mente que se foca e materializa situações que eu não quero experienciar e que me arrasta para o inferno.
O paraíso está aqui, ao meu alcance em todos os momentos. Basta deixar de pensar e começar a sentir.
This website uses cookies to improve your experience while you navigate through the website. Out of these, the cookies that are categorized as necessary are stored on your browser as they are essential for the working of basic functionalities of the website. We also use third-party cookies that help us analyze and understand how you use this website. These cookies will be stored in your browser only with your consent. You also have the option to opt-out of these cookies. But opting out of some of these cookies may affect your browsing experience.
Necessary cookies are absolutely essential for the website to function properly. This category only includes cookies that ensures basic functionalities and security features of the website. These cookies do not store any personal information.
Functional cookies help to perform certain functionalities like sharing the content of the website on social media platforms, collect feedbacks, and other third-party features.
Performance cookies are used to understand and analyze the key performance indexes of the website which helps in delivering a better user experience for the visitors.
Analytical cookies are used to understand how visitors interact with the website. These cookies help provide information on metrics the number of visitors, bounce rate, traffic source, etc.
Advertisement cookies are used to provide visitors with relevant ads and marketing campaigns. These cookies track visitors across websites and collect information to provide customized ads.
Cookie
Duração
Descrição
test_cookie
15 minutes
doubleclick.net sets this cookie to determine if the user's browser supports cookies.