
Já partilhei diversas vezes que a maior mudança que senti na minha caminhada em direção à melhoria de visão, foi a enorme alteração que aconteceu na forma como me vejo a mim, à vida e ao mundo.
Sempre tive bastante dificuldade em olhar para mim com amor. Na adolescência comparava-me aos que me rodeavam e cobrava-me pelo facto de ser diferente. Lembro-me de muitas vezes me questionar porque é que eu me sentia tão inadequada perante os outros.
Quando comecei o meu processo de mudança, há quase 13 anos, e mais tarde o processo de melhoria de visão, uma das minhas grandes dificuldades foi modificar a imagem de tinha de mim mesma.
À medida que o tempo foi passando, fui aplicando as ferramentas que tinha, mas sentia-me quase uma impostora, porque sentia que estava a mentir a mim mesma. Eu não gostava do meu corpo, sentia-me insegura e não me achava merecedora de amor.
Mas colhemos aquilo que semeamos e ao focar-me naquilo que queria ser e sentir, fui criando uma nova visão de mim mesma.
O meu aspecto físico já não desempenha um papel tão importante; o que passou a ser essencial foi tomar consciência que meu corpo é o veículo que me permite viver a melhor vida possível. Por me ver com amor, o meu corpo foi mudando, e tudo aquilo que antes via como imperfeições passou a ser aquilo que mais admiro em mim mesma.
A insegurança que me dominava, foi aos poucos sendo substituída pela segurança. Agi muitas vezes com medo, é verdade, mas agora consigo ver cada situação como um desafio e fico entusiasmada por ter que lidar com situações que anteriormente me fariam sentir bloqueada e frustrada.
E à medida que fui olhando para mim com amor, fui-me sentindo merecedora dele. Eu era a primeira a criticar-me, a julgar-me. Era tão rígida comigo mesma. Mas hoje, por ter mudado a visão de mim, tenho mais facilidade em aceitar-me como sou.
Ainda tenho um caminho pela frente e os, ainda que poucos, momentos de falta de clareza são sinónimo disso, mas é tão bom ver-me com outros olhos.
Até à próxima,
Ângela


