
Um dos exercícios que eu aplico no meu dia-a-dia, que me ajuda tanto em manter uma postura de aceitação, como, por consequência, a melhorar a minha visão, é procurar libertar-me do julgamento.
E como faço?
Quando se fala em desenvolvimento pessoal, muitas vezes surge a tendência para se navegar no positivismo, isto é, em ver as coisas pelo lado positivo. Na minha experiência, esta atitude, apesar de numa primeira abordagem parecer boa, muitas vezes leva-nos a julgar sem preceber que os estamos a fazer.
Se eu considerar algo bom, estou a julgar como sendo bom. E se uma parte é boa, significa que outra é má. E muitas vezes para ver o lado “bom”, acaba por se reprimir o lado “mau”, ou seja, reprimimos os sentimentos “maus”. Como o que cria a realidade é aquilo que se sente e não o que se diz, acabamos por nos enganar a nós mesmos.
Então, a minha experiência mostra-me que o melhor é adotar uma postura de neutralidade. O que quero dizer com isto?
Em vez de, quando as coisas acontecem, tentar perceber se são boas ou más para mim, ou tentar ver o lado positivo e perceber em que sentido são boas, o que procuro fazer é não rotular e ver as coisas pelo que são e saber que, ainda que eu não veja isso, tudo tem um propósito na minha vida.
(Já escrevi um texto em que abordo isto de uma maneira mais profunda. Podes lê-lo aqui: https://angelabarnabe.solucaoperfeita.com/libertar-me-do-julgamento-intencao-para-a-semana-19-a-25-de-jan-25/)
E o que é que isto tem a ver com a melhoria de visão?
Cada julgamento que eu faço é uma lente que crio e que molda a maneira como vejo o mundo. Se eu anteriormente rotulei uma experiência de uma determinada maneira, sempre que uma experiência semelhante surgir, a lente está criada e faz-me ver a situação dessa mesma maneira.
Isso impede-me de me abrir a novas possibilidades e cada vez mais me isola no meu mundo (as pessoas com miopia tendem a fechar-se na sua bolha).
Portanto ao não julgar, para além de não estar a criar novas lentes, que impedem a clareza da minha visão física, também expande a minha consciência, pois ao abrir-me a novas possibilidades, posso ver o mundo e a minha realidade de uma forma mais ampla.
Ao longo do meu processo de melhoria de visão, tenho vindo a desfazer-me de várias lentes e à medida que o faço, tenho-me maravilhado com um novo mundo. E é bastante interessante olhar para trás e ver que determinados acontecimentos que julguei bons, não me trouxeram grandes benefícios e aquilo que vi como “tragédias” foi o que mais precisava naquele momento.
Até à próxima,
Ângela


