Numa das intenções que partilhei anteriormente, “Estar atenta ao perfeccionismo”, comprometi-me a partilhar aqui no blog a evolução do projeto de crochet que comecei e o seu resultado final.
O meu objetivo era trabalhar a minha tendência para abandonar algo que comecei, sempre que as coisas não correm de forma “perfeita”. E por isso, decidi fazer um tapete, com restos de tecido e lã e ainda que não estivesse a ficar como imaginei, tinha como intenção terminá-lo.
Mas como em tudo na vida, as coisas não correram como esperado e fui levada a trabalhar o perfeccionismo de maneira diferente do que estava a imaginar.
À medida que fui avançando, comecei a perceber que a minha escolha de tecidos e de lã não foi a melhor e que isso iria afetar o resultado final: em vez de terminar com um tapete, iria terminar com um triâgulo desajeitado.
Então cheguei a um “impasse”: ou continuaria a fazer sabendo que nunca teria um tapete, ou então mudava o rumo, transformando o “tapete” em algo que fizesse mais sentido.
O perfeccionismo “atacou” e dei por mim a pensar que se a ideia era fazer um tapete tinha que manter esse rumo. Mas, como a intenção era trabalhar o perfeccionismo, decidi mudar e foi-me sugerido transformar o que já tinha em uma pega de cozinha.
E foi isso que fiz. Abaixo deixo as fotos…
Já comecei um novo projeto. Não sei qual será o resultado final, mas partilharei aqui o que fizer.
Nas últimas semanas tenho partilhado sobre o perfeccionismo e sobre a minha dificuldade em aceitar e lidar com o que estou a sentir.
O perfeccionismo que ainda habita em mim afeta diversas áreas e uma das principais é o meu processo de aprendizagem.
Para mim ( e talvez para outras pessoas) o processo de aprendizagem pode ser um pouco desconfortável, principalmente quando não sou “boa” a fazer as coisas. Por exemplo, quando comecei a fazer bolos, algo que eu gosto muito de fazer, sinto que o processo foi agradável, porque os resultados iniciais foram relativamente bons.
Atualmente considero-me uma boa pasteleira e devo isso a todo o processo de aprendizagem.
Mas, em coisas que não sou naturalmente boa, já vejo o processo de aprendizagem de outra maneira. Muitas vezes tenho vontade de desistir e nos últimos tempos tenho procurado mudar isso.
Por isso, quero relembrar-me da importância de estar grata a tudo e quero agradecer a todos os processos de aprendizagem que passei e que ainda terei que passar.
Estou grata pela oportunidade de aprender. Não só por aquilo que isso me proporciona na prática, como também por tudo aquilo que me dá a conhecer sobre mim.
Por exemplo, ao aprender crochet, para além de estar a aprender como criar peças através do crochet, também tive a oportunidade de tomar consciência do quanto o perfeccionismo ainda me afeta.
Estou também grata ao meu corpo por me permitir aprender a fazer aquilo que quero (e também aquilo que muitas vezes preciso). Estou grata às pessoas que me cercam e que me incentivam a aprender e que partilham comigo a sua experiência para que o meu caminho de aprendizagem seja mais suave.
E estou também grata à oportunidade de partilhar todas as minhas aprendizagens com todos aqueles que leem o meu blog e que vão acompanhando esta minha viagem.
Um dos exercícios que eu aplico no meu dia-a-dia, que me ajuda tanto em manter uma postura de aceitação, como, por consequência, a melhorar a minha visão, é procurar libertar-me do julgamento.
E como faço?
Quando se fala em desenvolvimento pessoal, muitas vezes surge a tendência para se navegar no positivismo, isto é, em ver as coisas pelo lado positivo. Na minha experiência, esta atitude, apesar de numa primeira abordagem parecer boa, muitas vezes leva-nos a julgar sem preceber que os estamos a fazer.
Se eu considerar algo bom, estou a julgar como sendo bom. E se uma parte é boa, significa que outra é má. E muitas vezes para ver o lado “bom”, acaba por se reprimir o lado “mau”, ou seja, reprimimos os sentimentos “maus”. Como o que cria a realidade é aquilo que se sente e não o que se diz, acabamos por nos enganar a nós mesmos.
Então, a minha experiência mostra-me que o melhor é adotar uma postura de neutralidade. O que quero dizer com isto?
Em vez de, quando as coisas acontecem, tentar perceber se são boas ou más para mim, ou tentar ver o lado positivo e perceber em que sentido são boas, o que procuro fazer é não rotular e ver as coisas pelo que são e saber que, ainda que eu não veja isso, tudo tem um propósito na minha vida.
E o que é que isto tem a ver com a melhoria de visão?
Cada julgamento que eu faço é uma lente que crio e que molda a maneira como vejo o mundo. Se eu anteriormente rotulei uma experiência de uma determinada maneira, sempre que uma experiência semelhante surgir, a lente está criada e faz-me ver a situação dessa mesma maneira.
Isso impede-me de me abrir a novas possibilidades e cada vez mais me isola no meu mundo (as pessoas com miopia tendem a fechar-se na sua bolha).
Portanto ao não julgar, para além de não estar a criar novas lentes, que impedem a clareza da minha visão física, também expande a minha consciência, pois ao abrir-me a novas possibilidades, posso ver o mundo e a minha realidade de uma forma mais ampla.
Ao longo do meu processo de melhoria de visão, tenho vindo a desfazer-me de várias lentes e à medida que o faço, tenho-me maravilhado com um novo mundo. E é bastante interessante olhar para trás e ver que determinados acontecimentos que julguei bons, não me trouxeram grandes benefícios e aquilo que vi como “tragédias” foi o que mais precisava naquele momento.
Nas últimas semanas, tenho tido alguma dificuldade em definir uma intenção para a semana, ou pelo menos, de a partilhar aqui no blog. Tenho tidos alguns desafios, tanto a nível pessoal, como a nível profissional e por isso tenho decidido manter as intenções das semanas anteriores, principalmente no que toca a aceitar, confiar e agradecer.
E no domingo, ao refletir sobre aquilo em que me ia focar durante a semana, tomei consciência que, apesar de saber tudo o que sei no que toca ao desenvolvimento pessoal, eu ainda fujo ao que estou a sentir.
Aliás, vi claramente que tudo aquilo que evitei fazer ao longo da minha vida, principalmente na adolescência, foi pelo facto de que eu evitei a todo o custo sentir o desconforto de fazer as coisas pela primeira vez, o desconforto de não ser boa em alguma coisa e o desconforto de demonstrar a minha vulnerabilidade.
E apesar de saber que a terapia de exposição é que resulta melhor para mim, muitas vezes manipulo-me para não ter que passar por esse processo.
Por um lado evito o desconforto que eu sei ser essencial para o meu crescimento, e por outro camuflo o que estou a sentir, em prol daquilo que deveria sentir. Eu só posso mudar o que aceito, e para mudar o que estou a sentir, tenho que me permitir sentir isso mesmo.
Portanto, esta semana, tenho como intenção permitir-me sentir, para que daqui em diante possa não só mudar aquilo que não faz sentido, como também apreciar todo o desconforto do processo de crescimento.
No início do ano, coloquei como intenção dedicar-me a “coisas” que sempre quis experimentar ou que já tinha experimentado e que abandonei por algum motivo.
Uma desses “coisas” é o crochet. Comecei a aprender crochet em 2018, com uma senhora do Brasil que passou um tempo aqui na comunidade e foi algo que fui tentando desenvolver ao longo dos anos, mas que acabei sempre por abandonar.
Tentei fazer uma peça de roupa, mas por ter feito mal as medidas, não correu bem, fiquei frustrada e larguei o crochet durante algum tempo. Depois tentei fazer uma manta, mas quando vi que iria demorar algum tempo, também deixei. Voltei a tentar fazer uma peça de roupa e como não estava perfeita, larguei novamente o projeto.
Há cerca de duas semanas, vi um vídeo de alguém a fazer um tapete com roupa velha e com restos de lã e fiquei entusiasmada. Sempre quis fazer algo em crochet que fosse útil e por ter imensa roupa velha (que não dá para doar), decidi começar novamente no crochet.
Mas, as coisas não correram de uma maneira tão linear assim e novamente não tenho uma peça tão bonita como eu podia imaginar. Provavelmente é o tecido, mas a minha inexperiência, associada aos outros fatores, faz com que a peça tenha os seus “defeitos”.
Novamente surgiu a vontade de pôr de parte, mas decidi aprofundar o motivo que me leva novamente a querer desistir e adivinhem… É o perfeccionismo.
Já escrevi imensas vezes sobre isto e até já fiz um vídeo a falar desta minha relação com o querer fazer as coisas de forma perfeita, e volta e meia, fico mais consciente do quão enraizada esta tendência está em mim.
Todo este problema do crochet está ligado ao facto de eu querer fazer tudo bem à primeira. Quero ser perfeita. Quero agarrar em algo pela primeira vez e fazê-lo tão bem como uma pessoa que já o faz há desde sempre.
Como tal e aproveitando a minha decisão de me dedicar a coisas que sempre quis fazer, vou colocar com intenção para esta semana o estar atenta ao perfeccionismo. Deixar de ter medo de ser principiante e aceitar todo o processo de aprendizagem.
Não abandonei o tapete, claro e quando estiver terminado, pode ser que partilhe uma foto por aqui. Ou melhor, irei com certeza fazê-lo como compromisso para mim mesma.
A semana passada defini como intenção libertar-me do controlo e cheguei à conclusão que a melhor forma para o fazer é entregar e confiar.
Entregar ao Universo, a Deus ou ao meu poder superior tudo aquilo que me preocupa e que me pesa e confiar que, perante este ato de entrega, tudo correrá da melhor maneira e que quando for necessário eu agir, a vida encarregar-se-à de me mostrar que está na hora de fazer a minha parte.
Pode parecer fácil fazer isso, mas cheguei à conclusão que a vontade de controlar e de achar que eu consigo resolver tudo sozinha, torna isto um processo bastante complicado. Eu entrego e logo de seguida “desentrego”, pois a minha mente encontrou uma solução. Mas, logo de seguida volto a entregar e assim sucessivamente.
Nas alturas em que tudo parece correr bem, é fácil dizer que confio, que entrego e que estou grata pela forma como tudo acontece. Mas em alturas em que aparentemente as coisas não correm tão bem, surge a insegurança e o controlo.
Mas se surgem é porque sempre cá estiveram; estou sempre a controlar.
Portanto, esta semana vou continuar na linha do libertar-me do controlo, estando mais focada no entregar e confiar.
A vida é de facto muito boa para mim, não me têm faltado provas disso. Estou rodeada por pessoas fantásticas, a quem eu estou imensamente grata; tenho tido oportunidades fantásticas tanto a nível profissional como pessoal, estou a ter uma vida que nunca imaginei vir a ter… Tenho motivos mais que suficientes para entregar, confiar e agradecer.
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