As Aventuras de uma Míope #14 – Eu sou responsável por aquilo que sinto

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Artigo 14 da série “As Aventuras de uma Míope”

A miopia é sinónimo de entregar o meu poder aos outros, ou seja, deixar que coisas exteriores a mim interfiram na forma como eu me sinto.

Desde sempre me habituei a desresponsabilizar-me perante as situações. Não só considerava que eu não tinha nada a ver com as situações que me aconteciam, mas também deixava que as situações influenciassem o meu estado de espírito.

No fundo a vida é um reflexo daquilo que sou. Se quero que a vida seja diferente, tenho que mudar o que sou e para isso tenho que me responsabilizar.

Eu não fico mal pelas situações que acontecem, determinadas situações acontecem porque eu estou mal.

As situações não me fazem ficar em resistência, eu estou em resistência e por isso reajo de determinada maneira às situações.

Se eu estiver em fluxo as coisas fluem; se eu estiver em resistência as coisas não fluem.

O que define como as coisas se desenrolam são as minhas emoções. Os pensamentos são importantes, mas a emoção é o combustível que faz as coisas acontecerem.

A minha visão é influenciada pelas minhas emoções e enquanto eu não me responsabilizar pelo que sinto, vou continuar a dar o meu poder aos outros e nunca poderei ver com clareza.

Quanto mais me desapegar de conceitos e me responsabilizar pela minha situação, mas claramente irei ver e sentir a vida!

Ângela Barnabé

As Aventuras de uma Míope #13 – O mundo não é um lugar perigoso

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Artigo 13 da série “As Aventuras de uma Míope”

Uma das razões pela qual eu não me permito ver claramente é ter medo do mundo que me rodeia. Ainda não sei o que me fez acreditar que o mundo é um lugar perigoso, mas sei que isso faz parte do meu conjunto de crenças.

Ao longo do meu processo de melhoria de visão, fui prestando atenção àquilo que conseguia ver mais claramente. Depressa me apercebi que não consegui focar as expressões faciais das pessoas, se elas se encontrassem longe de mim. Multidões faziam-me ficar ansiosa, stressada e a minha visão piorava significativamente.

Então, apercebi-me do meu medo das reacções que os outros têm de mim. Apercebi-me que tenho medo que me façam mal e que me prejudiquem.

No fundo, fui passando por algumas experiências que comprovavam esses meus medos.

Mas vejamos. Se eu semear milho, vou colher milho, certo? Se pensamentos são sementes e a emoção, digamos, é a água que os permite crescer, ao longo deste tempo todo eu estivesse apenas a colher o que semeei.

A vida apenas espelhou aquilo que eu acreditei.

Agora que identifiquei isto e com a ajuda do workshop “O Poder de Querer Mudar” e as suas ferramentas, posso dizer-vos que consigo ver a vida com mais amor.

No passado dia 13 de maio, desloquei-me a Fátima para presenciar e fazer parte daquela onda de amor e gratidão, e para minha surpresa aquela multidão não me assustou. Consegui ver mais claramente do que antes e não me senti insegura.

Se consegui aquela postura naquele dia, com certeza consigo alcançá-la sempre.

No fundo tenho que ver a vida como ela me vê sempre: com amor, confiança e gratidão.

Ângela Barnabé

As Aventuras de uma Míope #12 – O 1º passo em direção à clareza

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Artigo 12 da série “As Aventuras de uma Míope”

Quando conheci o António, ele dizia-me frequentemente que todas as doenças tinham recuperação. Lembro-me algumas vezes das conversas que tínhamos e principalmente da minha resistência a novos conceitos e a uma forma diferente de ver a vida. Acho que só tivemos uma conversa “séria” acerca da miopia, quando eu própria admiti esta minha limitação.

Não é que eu não estive ciente da minha falta de visão; bastava tentar ver algo ao longe que via bem o problema. A questão estava no facto de eu não admitir que eu era responsável pelo meu problema de visão.

Comecei a ler o livro “Melhore a sua Visão”, achei muito interessante, mas depressa desisti de aprofundar o assunto.

Posso dizer-vos que me “agarrei” ao processo de melhoria de visão, não porque estava decidida a mudar, mas porque necessitava de ver bem sem óculos para realizar as tarefas do dia-a-dia, tais como conduzir, orientar-me numa multidão estando sozinha, orientar-me no supermercado, etc… O tomar consciência do papel que eu desempenho na minha falta de clareza veio um pouco mais tarde.

Fazer exercícios oculares, relaxamentos, etc, ajudou-me muito, mas a visão turva começou a clarear quando comecei a ligar a forma como via a vida e a forma como a minha visão melhorava ou piorava. Por exemplo, ao acordar a minha visão estava mais clara do que quando me ia deitar, à noite.

À medida que avanço no programa de melhoria de visão conheço-me melhor e de certa forma compreendo melhor os meus processos mentais. Enquanto puder remediar, enquanto avistar um atalho, nunca vou realmente à raiz do problema.

A miopia não é uma doença fatal e uns simples óculos resolvem o problema, não é? Uns relaxamentos oculares melhoram a visão, não é?

Mas e a verdadeira causa da miopia? E todos os conceitos que causaram a miopia e que me impedem de viver a vida ao máximo?

Se uma área da minha vida não flui, não estou bem. A miopia não é diferente da diabetes, do cancro, nem de uma adição. É uma “doença” e só depois de a ver como tal fui capaz de decidir que queria resolver o problema. Se calhar essa decisão ainda não foi tomada, pois ainda não vejo claramente, mas com todo este processo também aprendi que apenas vemos aquilo que conseguimos conceber e a partir do momento que tomamos ação os véus começam a cair e a visão a clarear.

Ângela Barnabé

As Aventuras de uma Míope #11 – Problema ou bênção?

Artigo 11 da série “As Aventuras de uma Míope”

Sempre pensei que um dos objectivos para a vida de qualquer um seria evitar problemas. Quando escrevo isto não me refiro a não entrar em confusões (claro que isto seria de evitar), mas sim à necessidade de me afastar das coisas que me levariam a trabalhar aspectos em mim, à necessidade de ficar na minha zona de conforto.

Por exemplo, queria apenas o dinheiro suficiente para viver, pois sabia que se ganhasse mais dinheiro do que necessitava, tinha que ser responsável e colocar esse dinheiro em movimento, realizando todos os meus sonhos e contribuindo para um mundo melhor.

Quando me apercebi do meu problema de visão, vi-o como um problema, e principalmente como um problema que eu não podia resolver, algo que tinha tido caído do céu e que eu tinha tido o azar de “apanhar”.

Com o passar do tempo fui reforçando a ideia de problema, que por sua vez me fazia sentir culpada por não me permitir ver bem e também não me dava uma solução, pois encontrava-me fechada naquele paradigma.

Comecei a escrever “As Aventuras de uma Míope” e reflecti sobre tudo o que a miopia tinha trazido para a minha vida. Será que a miopia é realmente um problema ou uma bênção?

Quantas coisas aprendi devido à miopia? Quantas mudanças foi possível realizar devido à minha falta de clareza? Quão bonito é um processo de recuperação? Quão fantástica é a metamorfose de uma pessoa fechada, rígida e resistente, para uma pessoa que flui, amorosa e acima de tudo que se ama?

O processo de melhoria ainda não acabou e já “vejo” todas estas bênçãos.

No fundo, as coisas são o que nós “vemos”. A nossa postura altera tudo.

Obrigado miopia pela bênção que és na minha vida!

Ângela Barnabé

As Aventuras de uma Míope #10 – Falar dos meus medos?

Artigo 10 da série “As Aventuras de uma Míope”

Desde que comecei a escrever esta série de artigos, tenho tentado falar mais abertamente dos meus medos. Por vezes só me permito falar deles depois de os ter “ultrapassado”, ou seja, quando penso que eles já não me incomodam.

Mas, outras vezes permito-me ser honesta e partilho com os que me rodeiam quais os meus medos. São medos um pouco ridículos, mas são eles que contribuem em grande parte para a minha falta de visão.

Tenho medo de não ser aceite, de falhar, de ser julgada e de não ser amada. Tenho medo que as coisas fujam do meu controlo e que me depare sozinha, perante o resto do mundo.

Não interessa querer falar (ou neste caso escrever) bonito, dizendo-vos aquilo que eu sei, em vez de aquilo que eu sinto.

O mundo não é um lugar perigoso, eu sei, mas o facto de saber isto não me impede de tomar uma atitude defensiva.

Tudo são experiências, eu sei, mas saber isso não me impede de tentar ser perfeita e de querer que as coisas sejam à minha maneira.

A vida é fluxo, eu sei, mas esse conhecimento não me impede de resistir à mínima alteração de planos que possa ocorrer.

Cada dia tento ser um pouco melhor. Tento permitir que a vida flua e que os medos não sejam obstáculos aos meus sonhos. E quando não consigo tento outra vez. E outra vez. E outra vez.

Tinha medo de falar dos meus medos. Mas aqui estou eu a falar deles, não é?

Ângela Barnabé

As Aventuras de uma Míope #9 – A receita para uma visão clara

Artigo 9 da série “As Aventuras de uma Míope”

Ontem à tarde decidi fazer um bolo. Cozinhar, ou neste caso, fazer bolos é uma atividade que me dá bastante satisfação, seja enquanto os faço ou seja enquanto os como.

Mas ontem, enquanto preparava o bolo de chocolate apercebi-me de uma coisa. Existe um passo comum a quase todas as receitas de bolos que eu não gosto nada de fazer: untar a forma. Tento sempre adiar ou arranjar uma forma diferente de fazê-lo.

Normalmente o resultado não é muito bom. Apesar de o sabor do bolo ser, na maior parte das vezes, muito bom, o facto de não untar a forma faz com que a apresentação do bolo não seja a melhor.

O passo que é um dos mais importantes, podendo ser mesmo considerado uma das bases da receita, é o que eu mais descuido.

Transportei então essa reflexão para a forma como lido com a vida. Nas primeiras vezes em que tentei fazer o programa de melhoria de visão, a parte mais importante que é a mudança interior foi a que eu pus de parte.

E ainda que eu entrasse no terreno da mudança de consciência, havia sempre um ou dois assuntos que eu não queria mudar.

Queria sentir-me bem comigo mesma, ser feliz e sentir-me realizada, mas estava à espera da aprovação e do amor dos outros.

Queria sentir-me segura e autoconfiante e deixar-me fluir com a vida, mas fazia as coisas à minha maneira.

Queria ter uma visão clara, mas deixava que conceitos obsoletos toldassem o meu olhar.

Todos os projectos precisam de uma base onde assentar. Seja um bolo, uma casa ou um processo de recuperação; não se pode dar o segundo passo sem dar o primeiro.

Temos que untar as formas, misturar os ingredientes na proporção certa e esperar que o bolo coza.

Temos que nos responsabilizar, mudar o que podemos, aceitar o que não podemos e ser sábios para distinguir o que temos que mudar e o que temos que aceitar.

Ângela Barnabé

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